Era final da década de 1990, durante a terceira gestão do ex-prefeito Antonio Belinati, quando d. Albano, atento aos acontecimentos da cidade, decidiu que a Igreja deveria se posicionar diante das investigações feitas pelo Ministério Público (MP), no escândalo de corrupção que ficaria conhecido como "AMA/Comurb". "Com toda a discrição, ele nos convidou para saber o que se passava e depois disso, deu apoio irrestrito, publicamente", relembrou o procurador de Justiça Bruno Galati, à frente do MP, na época.
De acordo com Galati, a apuração já apontava para vários nomes da administração municipal, envolvidos em fraudes e desvio de recursos públicos, mas a deflagração das ações, como as prisões, ainda não havia começado. "Tratava-se de um procedimento envolvendo um líder carismático e uma estrutura com bastante poder político, então a sociedade ainda olhava com desconfiança para a investigação. Foi aí que o posicionamento de d. Albano foi fundamental para que a sociedade londrinense apoiasse o trabalho e identificasse o que se passava na cidade", contou o procurador, destacando que aquela iniciativa do arcebispo ajudou a consolidar o início do movimento Pé-vermelho Mãos Limpas, de apoio à apuração.
Galati afirmou que, logo após o encontro com os investigadores, d. Albano orientou todos os padres que lessem em todas as missas um artigo em apoio à operação do MP. "Sem envolver a Igreja em questões jurídicas, ele teve um papel destacado como liderança em Londrina", destacou.

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