Enfrentamento não deve ter foco somente na punição
Londrina - Consultora do Instituto Patrícia Galvão, a advogada e socióloga Fernanda Matsuda atenta que o enfrentamento à violência de gênero não deve partir apenas da vertente da punição. "O combate à violência exige uma mudança de olhar. As vítimas não desejam só responsabilização do agressor, mas uma vida sem conflitos, sem violência e de convivência familiar pacífica. Obviamente, há situações que apenas uma medida protetiva a fim de evitar um desfecho mais grave. Porém, o problema da violência doméstica pede várias respostas, mais do que a Justiça Criminal, sozinha, é capaz de fornecer", comenta, ressaltando para a necessidade de uma rede integrada de serviços.
Beatriz Accioly, antropóloga, pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Marcadores Sociais da Diferença do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP), concorda com a opinião de que o enfrentamento da discriminação de gênero necessita de um esforço coletivo. "E isso passa por várias iniciativas além de leis e políticas públicas. Passa, sobretudo, por um processo de educação de gênero que não seja normativa, excludente e favoreça desigualdades. Quanto mais cedo isso for ensinado, menos teremos o comportamento que naturaliza a violência doméstica", pontua. (M.T.)





