Curitiba e Londrina – Pelo menos 1,47 mil escolas estaduais do Paraná funcionaram normalmente ontem, no primeiro dia letivo após o fim da greve dos professores, conforme a APP-Sindicato. O número corresponde a 70% das 2,1 mil instituições da rede. Segundo o presidente da entidade, Hermes Leão, porém, trata-se somente de uma estimativa. Procurada pela FOLHA no início da tarde, a Secretaria da Educação (Seed) ficou de divulgar um balanço oficial, o que não ocorreu até o fechamento desta edição.
Algumas unidades optaram por convocar ontem apenas professores e funcionários, de forma a se preparar melhor para receber os alunos, a partir de hoje. Foi o caso, por exemplo, do Colégio Estadual do Paraná (CEP), maior e mais antiga escola do Estado, com cerca de 4,7 mil educandos. "Importante é que, até agora, o ritmo é de normalidade. Os professores estão sendo saudados pelos estudantes, por conta de toda a luta. Esse é um período rico, de reencontro e aprendizado", disse Leão.
A chefe do Núcleo Regional de Educação de Londrina (NRE), Lúcia Cortez, também estimou que 70% das 125 escolas estaduais em 19 municípios da área de abrangência retomaram as aulas. Em Londrina, segundo ela, apenas 10% dos 68 colégios estaduais funcionaram somente com professores e outros funcionários ontem. No Colégio Estadual Willie Davis, na Vila Casoni, estudantes chegaram a ir até a escola, mas foram dispensados. Segundo o diretor, Paulo César Chaves, a quarta-feira foi reservada para reuniões entre os professores. "Usamos esse dia para nos organizar", comentou. Dos 300 alunos do período matutino, em torno de 15% esperavam ter aula novamente ontem, como a estudante do 2º ano do Ensino Médio, Letícia Faustino, de 16 anos. "Ficamos ansiosos, mas sabemos que não está fácil a situação. Preferia fazer este ano de novo", disse.
Pela área central, o Colégio Estadual Hugo Simas foi outro que não teve aulas ontem. No Vicente Rijo, o maior da cidade, a expectativa dos alunos foi atendida e a chegada ao colégio foi praticamente um reencontro entre turmas. "Senti falta da escola", relatou Natália Moraes, 15. Um pouco mais preocupado com o desenrolar do ano letivo, o estudante Leonardo Rigo, do 3º ano do Ensino Médio, fez um cursinho vestibular durante o tempo em que as aulas ficaram suspensas. "Pelo menos não perdi tanto conteúdo", observou. Londrina tem 148 mil estudantes e cerca de 3,6 mil alunos na rede estadual.
A secretária de Educação, Ana Seres Comin, admitiu em entrevista concedida na última terça-feira que os 73 dias de greve, somando as paralisações de fevereiro e a última, devem trazer reflexos para 2016. De acordo com ela, em torno de 50% das unidades não conseguirão cumprir com os 200 dias letivos exigidos ainda neste ano. A expectativa é que o recesso de julho seja suspenso e que as aulas aconteçam até 23 de dezembro. Como em janeiro os educadores têm direito a 30 dias de férias, porém, haverá um rescaldo em fevereiro, prejudicando também o descanso do meio do ano que vem.

mockup