Enfermeiros e pacientes protestam contra falta de verbas para o Gaffrée Guinle
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segunda-feira, 13 de setembro de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 14 (AE) - - Estudantes, enfermeiros e pacientes do Hospital Universitário Gaffrée Guinle, na Tijuca, zona norte do Rio, protestaram no início da tarde de hoje contra a falta de recursos. Isso estaria afetando a compra de medicamentos e o funcionamento da unidade, centro de referência no tratamento de doentes contaminados pelo vírus HIV. Organizado pelo Sindicato dos Médicos do Estado, o ato reuniu cerca de 60 manifestantes, que interromperam por 5 minutos o trânsito da rua Mariz e Barros
uma das principais da Tijuca, em frente ao hospital.
De acordo com o chefe do serviço de clínica médica do hospital, Carlos Alberto Morais, a falta de funcionários e a escassez de verbas federais são os principais problemas do Gaffrée Guinle. Para o funcionamento normal do hospital - fundado na década de 20 - , disse, seria necessária uma verba mensal de R$ 1,5 milhão, mas a unidade estaria recebendo R$ 200 mil do Sistema Único de Saúde (SUS).
Dos cerca de 200 pacientes internados na unidade, 40 se tratatam de doenças decorrentes da aids. "Não há falta de medicamentos sofisticados, como o coquetel para a aids, mas falta todo o resto e quando esse doente precisa de um antibiótico ou antiinflamatório, por exemplo, tem que comprar na farmácia", explicou Morais. No total, 1.388 pacientes são atendidos no programa ambulatorial de tratamento da aids, que prevê distribuição gratuita de medicamentos.
A aposentada Maria das Dores Santos Marques, de 58 anos, mostrou notas fiscais da compra de Leucovorina 50 mg (R$ 59,80) para o tratamento da filha, Tânia, internada no Gaffrée Guinle com câncer no intestino. "Não tenho mais condição de pagar pelo remédios da minha filha", lamentou.
Telefones - De acordo com o chefe do setor médico, os telefones do hospital foram cortados por falta de pagamento. "Os elevadores estão quebrados, obrigando os médicos a descer as macas pelas escadas", afirmou. A direção do hospital não foi localizada pela reportagem para comentar as críticas.
Para o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, o problema está relacionado com a política de financiamento do governo para os hospitais universitários, baseada, segundo ele, no repasse referente ao valor dos serviços prestados. "Essa política está provocando a degradação do funcionamento desses hospitais." O Gaffrée Guinle pertence à Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio), responsável pelo repasse da verba necessária para os gastos com pessoal.


