Hoje, é o Dia do Enfermeiro e, apesar das conquistas obtidas durante o último século, a categoria ainda luta pelo seu reconhecimento social. O profissional quer derrubar o estereótipo de mão-de-obra braçal e mostrar a importância da sua ciência. ‘‘O perfil do enfermeiro mudou. Hoje, ele é mais autônomo graças ao aperfeiçoamento que vem buscando’’, comenta a enfermeira psiquiátrica, Fábia Almeida, do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
O interesse pela saúde mental surgiu durante a faculdade e, devido ao preconceito que a área carrega, não foi difícil encontrar emprego. Especializada há 10 anos pela Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto (SP), ela reclama da falta de opções para cursos de pós-graduação em Enfermagem no Norte do Paraná. ‘‘A competitividade é tão grande que não há como deixar de estudar. Mesmo assim, são poucos os estabelecimentos de saúde que estimulam seus funcionários’’.
Dentro desse contexto, até o relacionamento com os médicos vem mudando. Segundo ela, a linha que separa o espaço de trabalho de um e de outro é muito tênue e por isso os conflitos são inevitáveis. Fábia diz que o objetivo do enfermeiro é garantir o bem-estar do paciente enquanto o médico visa a cura da doença. ‘‘A imagem clássica do enfermeiro é a de um profissional disciplinado, tranquilo e detalhista. Quando me formei achei que não teria chance porque sou muito agitada. Felizmente, o leque de funções do enfermeiro é bem vasto e há lugar até para aqueles que se identificam mais com o setor administrativo’’, explica Fábia que há um ano é professora de enfermagem psiquiátrica na Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Arapongas.
Embora ainda seja uma atividade essencialmente feminina, a participação dos homens vem crescendo dia a dia. Atualmente, eles representam 9% da classe, mas há 20 anos esse índice não ultrapassa os 2%. De acordo com o doutorando em saúde mental e psiquiatria, Francisco Arnoldo Nunes de Miranda, historicamente a enfermagem surgiu para dar uma função à mulher aproveitando sua habilidade no gerenciamento do ambiente privado.
‘‘A maior satisfação para o enfermeiro é quando ele consegue ajudar alguém num momento de crise. Na mesma proporção, a frustração desse objetivo é altamente decepcionante’’, comenta Fábia.

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