Mônaco, 06 (AE) - A morte do banqueiro Edmond Safra e de sua enfermeira Vivianne Torrente num incêndio no seu apartamento de cobertura, na zona mais nobre de Mônaco, não passou de um crime comum, segundo revelou o procurador-geral de Mônaco, Daniel Serdet.
Apesar das versões mais fantasiosas terem alimentado a imprensa mundial nesses últimos quatro dias, até mesmo o envolvimento da máfia russa, o procurador-geral monegasco, diante de 50 jornalistas incrédulos, reunidos no Palácio da Justiça, anunciou que o enfermeiro norte-americano Ted Maher, de 31 anos, loiro de 1,80 metro de altura, casado e pai de três filhos, confessou ter sido o autor de toda a trama.
Ele decidiu confessar quando recebia alta, na manhã de hoje, no Hospital Princesa Grace, em Mônaco, e no momento em que os policiais se preparavam para comunicar-lhe sua prisão preventiva, diante de pontos obscuros e contraditórios em seus três depoimentos no último fim de semana.
O enfermeiro assumiu toda a responsabilidade pelos fatos
mas disse que nunca teve intenção de provocar a morte de Edmond Safra, "um bom patrão". Seu salário era de US$ 600 por dia (US$ 18 mil por mês). Por isso, revelou aos policiais que o interrogaram que com esse gesto perdeu "o melhor trabalho de toda sua vida".
Versão definitiva - A polícia monegasca, segundo o procurador-geral, em nenhum momento constatou a intenção de Ted Maher de eliminar Safra. Por isso, ao ser perguntado se essa versão seria a definitiva, Daniel Serdet afirmou: "Nós trabalhamos sobre essa versão, sem que tenha havido cumplicidade externa, e só fatos novos poderão modificar os rumos das investigações."
Hoje Ted Maher tem consciência da gravidade de seu gesto
que superou em muito a encenação pretendida para surgir como herói diante de seu patrão e vingar-se da enfermeira-chefe, Sônia, pois contestava seus métodos de trabalho.
Perguntado se pessoalmente também acreditava nessa versão de que o enfermeiro teria agido só, o procurador de Mônaco não hesitou: "Acredito, porque, se ele quisesse, poderia ter eliminado o banqueiro 10 mil vezes por dia."
Para o procurador, na confissão do enfermeiro e nas investigações efetuadas até agora pela polícia, não aparece "nenhuma relação com o estrangeiro". Isso não quer dizer, afirma Daniel Serdet, que o caso esteja encerrado. Se novos elementos concretos aparecerem nas investigações, serão apurados. "A instrução está apenas começando", diz Serdet.
Nível doméstico - O procurador-geral monesgasco insistiu durante todo o tempo em dizer que os fatos devem ser situados "em nível doméstico, e não em nível de um complô internacional", como se especulava no início.
Ele não hesitou em criticar a própria família do banqueiro morto, ao responder a uma pergunta sobre uma provável declaração feita por Joseph Safra (irmão de Edmond) na Suíça acerca de Ted Maher.
Daniel Serdet disse que, antes de levar em consideração essa afirmação, o jornalista deveria "analisar o nível atual das relações da família Safra", lembrando que Joseph Safra se encontrava longe dos fatos, em São Paulo.

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