France Presse
De Mônaco
O banqueiro judeu-libanês, Edmond Safra, foi assassinado sexta-feira passada em seu luxuoso apartamento de Mônaco pelo próprio enfermeiro que já está preso, depois de ter confessado, ontem, o crime. Safra, de 67 anos, que temia que seus inimigos pagassem pistoleiros para ajustar velhas contas, morreu asfixiado no banheiro de sua casa pela fumaça do incêndio provocado ‘‘por dois homens encapuzados’’, segundo a versão dada sexta-feira pelo enfermeiro e guarda-costas Ted Maher, que recebeu duas facadas dos ‘‘agressores’’.
Desde o início, a polícia de Mônaco suspeitou de Maher, um ‘‘ex-boina verde’’ americano de 41 anos. Maher admitiu que provocou o incêndio durante uma briga com a chefe da enfermagem de Safra, mas afirmou que ‘‘não pretendia matar o milionário’’.
De acordo com a reconstituição do caso, o enfermeiro pôs fogo numa lata de lixo e deu duas facadas em si mesmo, inventando os ataques de ‘‘dois encapuzados’’. Ontem pela manhã, cerca de mil pessoas prestaram uma última homenagem a Safra na sinagoga Hekhal Haness de Genebra. Ele foi enterrado no cemitério judeu de Veyrier.
Entre os presentes estavam o Prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel, o ministro israelense de Relações Exteriores David Levy e Sir John Bond, presidente do banco britânico HSBC, além do estilista francês Givenchy, do prícipe Saddrudin Agha Khan e do pretendente ao trono da Itália, Víctor Emanuel.
Edmond Safra era um dos homens mais ricos do mundo, dando no Brasil, junto com o pai Yakub Safra, os primeiros passos no caminho da conquista de uma fabulosa fortuna pessoal. Afetado pelo mal de Parkinson, queria afastar-se dos negócios e decidiu vender ao grupo britânico HSBC, por US$ 10 bilhões, o Republic New York Corp (17º banco de depósitos dos Estados Unidos) assim como Safra Republic Holdings (SRH), uma importante holding bancária européia que possui sucursais também em vários paraísos fiscais, entre eles Suíça, Luxemburgo, Mônaco, Guernesey e Gibraltar.
O acordo com o grupo britânico HSBC foi renegociado entre novembro e janeiro por causa do envolvimento de uma filial do banco no ‘‘caso Princeton’’, uma fraude praticada por uma empresa americana contra investidores japoneses. Muitas perguntas sobre o crime ainda estão no ar e a polícia de Mônaco esperava ter respostas para elas ainda ontem.Ted Maher, que também trabalhava como segurança do banqueiro, disse ter colocado fogo na lixeira durante discussão com chefe de enfermagem
France PresseDESPEDIDAFamiliares de Edmond Safra carregam o caixão. Ele foi enterrado ontem de manhã num cemitério judeu em Genebra

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