Enfermeiro poderá pegar prisão perpétua
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segunda-feira, 06 de dezembro de 1999
Por Reali Junior Enviado especial 
Mônaco, 06 (AE) - O enfermeiro norte-americano que confessou hoje ter iniciado o incêndio que matou o banqueiro Edmond Safra, Ted Maher, de 31 anos, deverá ser submetido a um exame psiquiátrico nos próximos dias. Ele vivia sob fortes doses de calmantes, segundo revelou aos policiais que pretendem saber como um homem cercado de tantos cuidados como Safra pode ter contratado um enfermeiro nessas condições para viver na sua intimidade.
O enfermeiro confessou que há alguns dias vinha alimentando a idéia, e reconheceu que atravessa períodos em que "alimenta idéias negras que o atormentam continuamente". Ao deixar o serviço às 3 horas da manhã, sendo substituído por Vivianne Torrente no quarto próximo a Edmond Safra, uma presença necessária diante da evolução da doença do banqueiro, o mal de Parkinson, em vez de ir para casa, Ted Maher resolveu descansar um pouco na enfermaria e essas idéias voltaram à sua cabeça. Daí a iniciar a dramática simulação do assalto e provocar o incêndio foram necessários poucos minutos. Ted Maher confessou ter sido o autor do incêndio, pondo fogo numa cesta de lixo, utilizando uma vela perfumada, e ter-se autoflagelado superficialmente na perna e no abdome com uma faca. A pequena faca de apenas 10 centímetros pertencia ao enfermeiro. Ele simulou toda a história do assalto supostamente praticado por dois homens encapuçados que nunca existiram, numa tentativa de aumentar seu prestígio perante o patrão, pois nada tinha contra Safra.
Diante das consequências de seu gesto, acabou indiciado e teve a prisão decretada pela juíza Patricia Richet por "incêndio voluntário em local de habitação provocando a morte de duas pessoas". Esse crime é punido com a prisão perpétua, pena máxima no principado.
Mesmo se a intenção do assassinato for posteriormente apurada, o crime poderá ser requalificado, mas a pena será sempre a mesma, segundo o procurador Serdet. Ted Maher pretendia sair da história como o salvador de Safra. O enfermeiro trabalhava há cinco meses com o banqueiro Edmond Safra e estava há apenas seis semanas em Montecarlo, tendo sido recrutado num hospital de Nova York. Segundo acredita Daniel Serdet, em nenhum momento o enfermeiro norte-americano imaginou assassinar o banqueiro.
Ted Maher, nascido em Aubuanne, no Maine, ex-militar da Marinha, pretendia, além de chamar atenção sobre sua pessoa, acertar contas com a chefe do grupo de oito enfermeiros que assistiam Safra, com quem não se dava bem.
Ele pretendia simular um assalto, surgindo como o salvador de Edmond Safra, mas não imaginava a morte do banqueiro nem da enfermeira que o havia substituído no horário, entre 3h e 6h da manhã de sexta-feira. Foi ele quem sugeriu que Edmond Safra e a enfermeira se refugiassem no banheiro do apartamento, na expectativa de que ambos poderiam ser salvos quando da chegada dos bombeiros, ainda no início do fogo. Ted não contava com uma certa paranóia do banqueiro que, aterrorizado pelos acontecimentos, não atendeu nem mesmo os insistentes apelos de sua mulher Lily e da própria polícia para que deixasse o banheiro onde se refugiara com a enfermeira pouco antes.
Na última comunicação, pelo celular, com a enfermeira-chefe, Sônia, Vivianne chegou a anunciar que não aguentava mais a fumaça que a sufocava e disse que iria desmaiar. Esse foi o último dos nove contatos telefônicos. Ambos não tiveram também a idéia de abrir a janela do banheiro, blindada por fora, mas que poderia ser aberta por dentro.


