Mônaco, 05 (AE) - Os agentes da policia de Mônaco, a chamada "Suretê publique", esperam elucidar a misteriosa morte do banqueiro libanês-brasileiro Edmond Safra a partir dos depoimentos de seu enfermeiro, um americano de 41 anos, mas cujo nome não foi até agora revelado. Ele encontra-se em plena recuperação dos ferimentos recebidos no abdômen e na perna ( mais leves do que se imaginava a princípio ), internado no hospital "Princesa Grace", mas sob forte vigilância policial. Ele constitui, segundo fonte policial, a verdadeira "chave do enigma".
Por isso, ninguém , a não ser o pessoal hospitalar e os policiais comandados pelo controlador geral Albertin, um antigo agente da DST francesa, podem se aproximar da zona onde está localizado o apartamento do enfermeiro. Como se sabe, a arma utilizada para a agressão foi uma pequena faca, de apenas 10 centímetros de cumprimento - normalmente não utilizada por um profissional. A arma foi deixada no local e recuperada pela polícia, o que depõe contra o anunciado profissionalismo dos agressores. Por essa e outras razões o caso Safra, a cada momento, torna-se mais complexo e misterioso.
Hoje, o enfermeiro foi novamente ouvido pelos policiais que buscam esclarecer os detalhes da agressão, tentando obter uma pista que possa ser seguida. Ele é a única testemunha da ação dos dois agressores.
Segundo levantamento da polícia, nada de importante desapareceu do apartamento, afastando-se a hipótese de assalto. Por isso, o procurador-geral de Mônaco, Daniel Serdet, tenha afirmado que não havia elementos para se privilegiar uma eventual pista da máfia russa. Lembrou, no entanto, que todas as hipóteses continuam abertas.
Suas declarações revelam as dificuldades. Um advogado francês especializado ouvido pelo jornal Le Monde não hesitou em declarar: "Só a mafia russa pode ser tão ousada e maluca para executar tal operação em Monaco, cujo grau de segurança todos conhecem."
VELORIO - Enquanto as investigações pouco evoluíram, os hotéis de luxo do Principado de Mônaco - como o Hotel de Paris, o Metrópole e o Montercarlo Beach - receberam na noite de sábado uma clientela vip, constituída de banqueiros e homens de negócios - todos acompanhados de seus dispositivos de segurança - que vieram para velar o corpo de Safra no necrotério de Mônaco. Um cordão de isolamento foi montado pela polícia nas imediações para evitar curiosos e, principalmente, jornalistas.
Os motoristas de táxi do ponto ao lado do Hotel de Paris, o mais chique da Côte dAzur, não escondiam seu nervosismo por estar servindo esse tipo de clientela pouco descontraída, homens sisudos que entravam nos carros com seus "gorilas" visivelmente armados, olhando para todos os lados. Durante toda a noite assistiu-se um vai-vém desses homens com o mesmo destino: Hotel de Paris-necrotério-Hotel de Paris.

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