Enfermeiro brasileiro é raptado na Rússia
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domingo, 16 de maio de 1999
Agência Folha e Agência Estado 
O brasileiro Geraldo Cruz Pires Ribeiro, 54, enfermeiro da Cruz Vermelha Internacional, foi sequestrado anteontem de manhã na Rússia, ao norte do Cáucaso, região marcada por guerra civil. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo de Castro, comunicou ontem o sequestro ao secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, que deveria informar o fato ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao Itamaraty.
Ribeiro foi sequestrado na cidade de Nalchick, ao sair de uma escola local, onde dava um curso da Cruz Vermelha sobre primeiros socorros, segundo informações da instituição ao filho dele, Tomas Emanuel Ribeiro Cruz, que está no Brasil.
A Cruz Vermelha anunciou a suspensão das operações de ajuda internacional até a libertação do enfermeiro brasileiro. A instituição não está disposta a pagar eventual resgate porque teme que essa iniciativa incentive outros sequestros de organizações criminosas.
A OAB está empenhada em obter o apoio do governo para conseguir, o mais rapidamente possível, libertar o brasileiro. Procurado pelo filho de Geraldo, que está passando férias com a família do pai, no Brasil, o presidente da OAB, Reginaldo de Castro ligou, imediatamente, para o secretário dos Direitos Humanos, José Gregori.
Segundo o presidente da OAB, além de levar o caso ao presidente Fernando Henrique Cardoso, Gregori disse que iria acionar a embaixada do Brasil, em Moscou. O sequestro é lamentável e de altíssimo risco, declarou Castro diante dos familiares.
Segundo ele, a região de Nalchick, próximo da Chechênia, é de alta criminalidade. De acordo com o economista Sérgio Salgado, que é casado com uma irmã de Geraldo Ribeiro, seu cunhado foi exilado político e mora fora do Brasil desde 1971, quando fugiu para o Chile perseguido pelo regime militar. Há dez anos ele tenta voltar ao Brasil, mas ainda não conseguiu ser reintegrado na Caixa Econômica Federal, onde trabalhava antes de fugir do País, contou.
Segundo Salgado, do Chile, Geraldo Ribeiro foi para a Nova Zelândia, onde mora com o filho até hoje. Foi na Nova Zelândia que ele entrou para a Cruz Vermelha, depois de fazer um curso de enfermagem. Com mais de 50 missões no mundo inteiro, inclusive em países como Angola e Afeganistão, Sérgio Salgado afirmou que seu cunhado está acostumado com situações de risco.
Estou muito preocupado com meu pai, afirmou Tomás Ribeiro que só agora, depois de alguns meses no Brasil, está começando a falar o português. Ele contou que seu pai prometeu que esta seria sua última missão. Ele estava empenhado em voltar ao Brasil, disse o cunhado.
Os familiares estão convencidos de que o sequestro não tem conotação política. Isso foi obra de criminosos comuns, disse Salgado. A família está muito preocupada pela falta de contato dos criminosos que, até o momento, não pediram resgate.


