Enfermeira no caso Florestan é denunciada
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domingo, 23 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaVítima do erroO sociólogo Florestan Fernandes morreu por embolia gasosaSÃO PAULO - O promotor Pedro Eduardo Massat requereu ao juiz da 20ª Vara Criminal a condenação por homicídio culposo (pena de 1 a 3 anos) da enfermeira Eloisa Aparecida Pereira no processo que envolve a morte do sociólogo Florestan Fernandes. A vítima, em agosto de 95, foi submetida a transplante de fígado, para tratamento de cirrose hepática, pelo vírus de hepatite C. No pós-operatório, houve agravamento do estado de saúde do paciente, que foi submetido a hemodiálise.
Segundo a acusação, a enfermeira, desobedecendo ordens verbais e escrita, abandonou a sala de hemodiálise, deixando em seu lugar uma assistente de enfermagem. Em consequência, não houve troca do frasco de soro para a lavagem do sistema, sendo injetado no corpo da vítima grande quantidade de ar, causando a morte por embolia gasosa.
No mesmo processo, os médicos Pedro Caruso e William Abrão Saad Junior, segundo a acusação, emitiram atestado de óbito falso, para acobertar a enfermeira, dando como causa mortis insuficiência múltipla de órgãos. Em sua manifestação, o promotor Massat não faz qualquer alusão - a não ser no relatório do processo - à atuação dos dois médicos. Refere-se apenas à atuação da enfermeira, afirmando que ela agiu com negligência, imperícia e imprudência.
Para o promotor, a enfermeira abandonou o quarto onde se processava a hemodiálise num gesto de pura desumanidade e falta de profissionalismo, deixando em seu lugar uma pessoa desqualificada para operar a máquina.


