Ênfase com titulação preocupa
O provão deverá passar a incorporar novos indicadores de qualidade dos professores de cursos universitários. O problema é que atualmente só se usa a titulação (ter mestrado ou doutorado) e a jornada (ter contrato de mais dedicação à faculdade) como critério de qualidade. Me preocupa essa ênfase que está ocorrendo na titulação, afirma Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Inep, órgão do MEC que organiza o provão.
Em uma faculdade de Odontologia, por exemplo, é muito importante ter professores com experiência na clínica. Em Direito, há juízes e promotores que, embora não tenham um título de pós-graduação, são ótimos professores. Para Maria Helena, a graduação é diferente da pós-graduação, que necessariamente precisa ter titulação. Não há uma relação tão direta entre a titulação e a formação de um bom profissional na graduação.
Por exemplo, a Faculdade de Direito Milton Campos, em Minas Gerais, obteve conceito A no provão em 96 e 97, mas tem seus professores avaliados com conceito E tanto na titulação como na jornada de trabalho. Já o Direito da Universidade Gama Filho, do Rio, ficou com E no provão 97, embora tenha titulação e jornada. A idéia é criar indicadores que retratem também a experiência profissional dos professores. Estamos iniciando estudos nesse sentido, diz Maria Helena.
EstratégiaO ministro da Educação, Paulo Renato Souza, reconhece que quem chega hoje à universidade brasileira é uma minoria, uma elite, mas evita relacionar isso à eventual cobrança de mensalidades nas escolas públicas. A renda familiar (dos estudantes universitários) prova que o ensino fundamental precisa melhorar muito, diz ele. Sobre mensalidades, afirma: A política do governo não inclui esse debate.
A recusa em expor sua posição tem uma razão estratégica. Há dois anos, o ministro tenta aprovar uma emenda constitucional que muda o status da autonomia das universidades federais - que são resistentes às mensalidades. Embora o grupo dirigente do MEC defenda, a portas fechadas, que os alunos paguem nas universidades públicas, avalia-se que, se governo assumisse essa posição, ela atrapalharia a negociação em torno da autonomia. (F.R.)





