Londrina - Elas são modernas, cheias de estilo e muito femininas. Mas também são guerreiras, competitivas e estão prontas para cair e levantar quantas vezes forem necessárias. Elas são as meninas da Little London Derby Girls, a liga londrinense de roller derby, um esporte de contato praticado sobre patins que nasceu na década de 30 e, neste século 21, conquista jogadoras do mundo inteiro.
Em Londrina, as derby girls treinam semanalmente no ginásio de esportes do Jardim Bandeirantes (Zona Oeste), cedido pela Fundação do Esporte de Londrina (FEL) por duas horas, aos sábados. O grupo se formou pelo Facebook e chegou às quadras em outubro do ano passado, por iniciativa de Marina Machado, que logo ganhou o apoio da estudante Larissa Cardoso, 21, atual coordenadora da liga.
A informação curiosa é que, no primeiro treino, as poucas interessadas mal sabiam patinar e não conheciam quase nada sobre o esporte. Imbuídas do maior espírito "Faça Você Mesmo" - e com a ajuda do também estudante Bruno Bueno Conceição, 21, namorado de Larissa e que logo assumiu a função de "coach" (treinador) – elas desvendaram as regras, se cotizaram para importar os patins e equipamentos de proteção e, hoje, alimentam o sonho de participar de uma competição oficial.
Um jogo de roller derby implica em duas equipes de patinadoras em uma pista. Cada time tem uma "jammer", a responsável por marcar pontos superando as jogadoras da equipe adversária que, por sua vez, têm a meta de fazer de tudo para detê-la, o que pode resultar em cotoveladas, tombos e algumas lesões. É preciso velocidade e habilidade para cair sem se machucar muito. Os patins, que as meninas londrinenses importaram para garantir menor preço e maior qualidade, são aqueles de rodas paralelas e parecidos com um tênis.
Larissa conta que a descoberta do esporte pelas patinadoras brasileiras aconteceu "na raça". "Meninas de São Paulo traduziram as regras e divulgaram. A gente tem que treinar, mas também pesquisar e estudar muito", conta. O intercâmbio entre as ligas, para troca de informações e exercícios, também e fundamental. Para isso, colabora a instantaneidade das redes sociais, onde é possível encontrar grupos e páginas de praticantes de todo o mundo.
A própria Larissa revela que, antes do primeiro treino, jamais tinha posto patins nos pés. "Eu tinha vontade de praticar porque gosto de cultura alternativa e o roller derby tem a ver com esse estilo", revela. A motivação para sair do Facebook e começar a treinar veio da vontade de praticar um esporte que não fizesse restrição ao tipo físico. "No roller derby tem espaço para gordinhas e magrinhas de qualquer idade", avisa.
Sobre os patins, ela e as outras praticantes afirmam que sentem-se femininas e bonitas, o que fica evidente no cuidado com acessórios, meias coloridas e maquiagem. "Quando calço os patins, viro minha própria heroína", garante.
A presença de patinadoras de vários perfis também incentivou a professora Beta Liberato, 40, a começar a praticar roller derby. Vinda do movimento punk, ela se identificou com o estilo das meninas e viu no esporte a possibilidade de praticar uma atividade física divertida e empolgante. O visual "alternativo" agrada a professora, que não mede esforços para participar dos treinos e está sempre contribuindo com ideias e informações.
Beta conta que, após parar de fumar e consumir bebidas alcoólicas, ela estava em busca de um esporte para completar o estilo de vida mais saudável que adotou. "Nunca tinha patinado, mas fiquei empolgada após assistir alguns vídeos", recorda. Hoje, não imagina uma rotina que não inclua patins nos pés. "Nosso objetivo é participar do campeonato brasileiro, em novembro, para conhecer as competições oficiais. Estamos inclusive precisando de apoio", avisa.

Serviço:
As Little London Derby Girls treinam semanalmente, aos sábados, às 16 horas, no ginásio de esportes do Jardim Bandeirantes (Av. Arthur Thomas, na Zona Oeste). Interessados em praticar roller derby ou ajudar nos treinos podem comparecer ao local.

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