Brasília, 9 (AE) - As tarifas de energia elétrica ficam mais altas a partir de amanhã (10) em todo o País, e terão outros dois aumentos menores, em 8 de julho e 7 de agosto. O aumento médio para todo o País, ao final das três etapas, será de 11,32%, mas a média das empresas da Região Sudeste será maior
chegando a 12,65%, enquanto no Norte será a menor, de 5,97%. O maior reajuste por empresa será de 20,96%, para a Eletropaulo Metropolitana, que atende 14 milhões em 24 municípios de São Paulo.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou hoje os índices de revisão tarifária das concessionárias de energia, que será diferenciado por empresa. "Será apenas um aumento, mas dividido em três etapas", explicou o diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo.
Segundo ele, o objetivo é evitar que este "reposicionamento tarifário" tenha impacto de uma vez só na conta do consumidor. As tarifas das empresas de geração e transmissão terão um aumento médio de 15%. Além disso, o aumento escalonado poderá ter seus efeitos diluídos nos índices da inflação ao longo dos meses.
A decisão de promover um reajuste para todas as empresas a partir de amanhã não havia sido divulgada na terça-feira pela agência. As assessorias da Aneel e do Ministério de Minas e Energia apenas explicaram que seriam divulgados esta semana os porcentuais de aumentos relativos à portaria publicada na terça-feira pelos ministérios da Fazenda e de Minas e Energia.
Esta portaria interministerial determinava que os aumentos das tarifas das 32 concessionárias de distribuição que ainda não assinaram contratos de concessão com a agência deveriam ocorrer em 30 e 60 dias.
O aumento em duas etapas, porém, se refere às tarifas cobradas pelas empresas de geração de energia. Como estes custos serão repassados também para as distribuidoras, elas poderão inclui-los nas tarifas dos consumidores finais nos próximos dois meses.
Regiões - O aumento autorizado hoje pela Aneel será maior para as empresas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, pois visa principalmente cobrir os custos das empresas do setor com a desvalorização cambial de janeiro. A cotação do dólar usado pela Aneel para o cálculo deste reajuste foi de R$ 1,65.
As distribuidoras acumularam uma dívida de cerca de R$ 100 milhões com Itaipu, que cobra sua energia em dólar e congelou a cotação da moeda norteamericana em R$ 1,55 entre janeiro e maio.
Para as distribuidoras, também entram no cálculo do reajuste o crescimento dos encargos setoriais setoriais, como a Reserva Global de Reversão (RGR) e a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) além dos custos com as tarifas de geração e transmissão. Todas as empresas ainda têm custos com as contribuições para o Mercado de Atacado de Energia (MAE) e o Operador Nacional do Sistema Elétrica (ONS).
Etapas - Excepcionalmente, duas empresas terão aumentos em quatro etapas, pois os contratos de concessão fazem aniversário nos próximos dois meses. É o caso da Metropolitana e da Escelsa, do Espírito Santo.
A distribuidora paulistana deverá reajustar suas tarifas em quatro etapas, pois no próximo dia 15 completa-se um ano da assinatura do contrato de concessão. Amanhã, o reajuste da empresa será de 11,48%. No dia 15 haverá mais um aumento de 5 39%, relativo aos custos administrativos da companhia. No dia 8 de julho, as tarifas sobem mais 2% e em agosto mais 2,09%.
A Empresa Bandeirante de Energia (EBE), cujo contrato só faz aniversário em outubro, terá um aumento de 18,38% em três etapas. A EBE também terá novo aumento em outubro, mas o porcentual a ser autorizado pela Aneel na data do aniversário do contrato levará em conta o reajuste anunciado hoje.
O aumento da Elektro, também em três vezes, será de 16 34%. Para as concessionárias que já tiveram reajustes em abril, onde já estavam incluídos os custos com câmbio e encargos, o aumento será menor. Na CPFL cujas tarifas foram aumentas em 11 23% em abril, as contas ficarão 8,72% mais caras e na Cemig (aumento de 16,25% em abril) o aumento foi de 3,85%.

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