São Paulo, 9 (AE) - As companhias geradoras de energia elétrica que forem privatizadas em São Paulo, como as três controladas pela Companhia Energética do Estado de São Paulo (Cesp), terão a obrigação de gerar 15% mais de energia em oito anos. "Os novos donos não poderão ficar apenas sentados sobre o que comprarem, terão que investir também", disse o diretor do Instituto de Estudos e Pesquisas dos Trabalhadores no Setor Energético, Airton Ghiberti, que manteve encontros com os responsáveis pelo Programa Estadual de Desestatização (PED).
Ghiberti se reuniu com o vice-governador, Geraldo Alckmin, e o coordenador do PED, Fernando Braga, recebendo a informação de que a ampliação da geração é uma das condicionantes do programa. "Isto é bom, pois vai acabar gerando mais energia e empregos", avaliou.
O especialista disse ainda que o próprio governo federal está querendo isto também, e no edital de privatização de Furnas
a obrigação é de crescimento de pelo menos 25% na capacidade de geração de quem comprar, em um período semelhante ao ser aplicado por São Paulo.
"Ficar do jeito que estava é que não era possível. Não somos contra a privatização, mas sim a favor de um aperfeiçoamento. Que haja mais discussões com a sociedade para isto. Não se pode adotar medidas simplesmente, sem dialogar com a sociedade. A imposição não é boa para ninguém", observou.
Participação - Ghiberti salientou que os trabalhadores ainda estão analisando a possibilidade de participar do processo de privatização de energéticas de São Paulo, através de um Fundo Mútuo em que se utilizaria também recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
"É preciso que se tenha regras claras para isto. O que não é possível é o trabalhador colocar o seu dinheiro em um dia, e no outro ele não valer nada, ter se transformado em pó. Por isso nossa análise é muito profunda e ainda não foi concluída."

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