Enem volta a apostar em questões sobre direitos humanos e diversidade
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domingo, 04 de novembro de 2018
Ana Niederauer, Eduardo Gayer, José Tomazela e Pepita Ortega<br>Agência Estado 
O primeiro dia do Enen (Exame Nacional do Ensino Médio) manteve o perfil de abordar questões sobre os direitos humanos. Nas provas de Linguagens e Ciências Humanas, as questões trouxeram assuntos como os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e a ativista americana Rosa Parks, que ficou conhecida mundialmente ao desafiar a lei de segregação entre negros e brancos.
Cultura africana, questões de gênero, escravidão e noção de democracia foram tópicos que voltaram a aparecer nos enunciados da prova, segundo Cláudio Hansen, professor do Descomplica. Ele comenta: "O Enem voltou a ter um caráter crítico e contemporâneo, o que é muito bom." Com relação à parte de atualidades, o professor diz que a relevância das notícias sobrevive em média de quatro a cinco anos. "Não cai somente o que está muito atual. Tópicos como a questão dos refugiados e a seca de 2014 foram cobrados."
"A prova estava mais crítica, menos conteudista", avalia Cláudio Caus, professor de Língua Portuguesa do Cursinho da Poli. Em sua avaliação, a parte de português não teve mudanças significativas e contou com uma ênfase maior nas variedades linguísticas do que nos últimos anos.
O professor destaca que muitas questões contemplaram as diversidades. "Em uma questão, o eu-lírico do texto, negro, assumia o discurso de opressor. Em outra, um anúncio publicitário incentivava a denúncia de assédio sexual. São temas muito discutidos recentemente, inclusive nos debates políticos", ele comenta.
Segundo Caus, em comparação ao ano passado, menos autores canônicos foram cobrados e abordou-se uma literatura contemporânea. "Guimarães Rosa foi citado em duas questões, uma delas com um quadrinho sobre Grande Sertão Veredas", afirma. A prova também contou com perguntas sobre funções de linguagem e tecnologia de informações.
Hansen lembra que a prova trouxe questões de geografia física, clima, hidrografia e noções de geologia, confirmando uma tendência observada em 2017 de abordar esses assuntos que tinham menos peso em anos anteriores.
Ele diz ainda que os textos da prova estavam mais densos, exigindo uma maior capacidade de leitura dos candidatos. "Pelo menos em cinco questões, o estudante precisava ter leitura de mapa, gráfico ou esquema. Além dos textos estarem mais densos, foram apresentadas outras formas de escrita", comenta o professor de geografia.
Para Hansen, a prova ganhou um nível de dificuldade e deve ser avaliada entre mediana e difícil pelo Descomplica. "A interpretação continua ajudando o aluno, mas as questões que podem ser consideradas como muito fáceis não apareceram", comenta. A ausência de assuntos clássicos, como indústria, energia, vegetação e biomas do Brasil também chamou a atenção do professor.


