Enfrentar o trânsito, esperar o sinal verde para atravessar a avenida, driblar o assédio do batalhão de promotores de marketing das universidades e, por fim, correr os 50 metros rasos finais antes do fechamento dos portões. Esta foi a maratona de muitos estudantes que prestaram o segundo e último dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na tarde de ontem. Houve quem decidiu evitar a agonia e se antecipou, mas teve gente chegando no fechamento dos portões.
No Colégio Estadual Vicente Rijo, na região central de Londrina, o último participante chegou pontualmente às 13 horas. O rapaz subia a Avenida Higienópolis em uma corrida moderada até ser advertido que o portão estava se fechando. O sprint final foi recompensado. Após a batida do portão, ele seguiu esbaforido pelo já vazio corredor de entrada colégio. Nenhum participante chegou após o horário estipulado pela organização no maior colégio de Londrina.
Luísa Merighi Bononi, de 17 anos, chegou com meia hora de antecedência e estava preocupada com o conteúdo da prova, que incluiria linguagens, códigos e suas tecnologias, redação e matemática e suas tecnologias, com duração de 5 horas e 30 minutos. "Ontem o que mais pesou foram as exatas. Vamos ver se hoje me saio melhor", contou a estudante, que pretende cursar Fisioterapia. O tema da redação deste ano teve como tema a violência contra a mulher.
No Colégio Estadual Marcelino Champagnat, também na região central, a maioria dos estudantes que fizeram a prova preferiu se antecipar. Rafael Gonçalves Surian, de 19 anos, chegou com quase uma hora de antecedência. Ele considerou como "tranquila" a prova do dia anterior, que continha questões nas áreas de ciências humanas e suas tecnologias e ciências da natureza e suas tecnologias. "O que pesa mais é o psicológico, mas com o conteúdo eu não tive dificuldades", comentou.
Já o estudante Alex Ovídio, de 21 anos, contou que esperava uma prova mais fácil. "Ao contrário de anos anteriores, a prova exigiu bastante conteúdo das disciplinas, principalmente de Química", avaliou.
A edição 2015 do Enem terminou ontem com um índice de abstenção de 25,5%, segundo balanço do Ministério da Educação. É o menor índice desde 2009, quando o exame começou a ganhar força como meio de seleção para ingresso nas universidades públicas do País. De 7,7 milhões de inscritos, cerca de 1,9 milhão deixaram de participar dos dois dias do exame.
O ministro Aloizio Mercadante atribuiu o menor índice de ausência registrado neste ano às regras para obter isenção nas taxas de inscrição, que exigem a participação dos estudantes, e à inclusão do Enem como critério de seleção em programas como o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).
De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela organização do Enem, cerca de 83 mil paranaenses do total de 336 mil não compareceram ao primeiro dia de provas, no sábado.
No sábado, em todo o País, 364 participantes foram eliminados. Destes, 330 portavam equipamentos inadequados na sala de aula e 34 foram identificados com objetos proibidos pelos detectores de metal, inclusive foram registrados casos de estudantes com pontos eletrônicos. Estes foram encaminhados para a Polícia Federal. Uma pessoa foi eliminada por postar registros fotográficos de dentro da sala nas redes sociais.(Com Agências)

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