São Paulo, 29 (AE) - O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)
realizado hoje por 347.010 alunos em 162 cidades do País, poderá começar a ser usado por empresas para selecionar mão-de-obra a partir do ano 2000. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, informou hoje, antes da realização da prova, em São Paulo, na Faculdades de Tecnologia (Fatec), que o governo começará a divulgar o Enem junto ao empresariado. "A prova vai ser uma espécie de credencial para o aluno", disse o ministro, ao explicar que o resultado indicará para o empregador (assim como para as universidade, no caso dos exames de seleção) as habilidades e competências pessoais do candidato.
O Serviço Social da Indústria (Sesi) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já começaram a discutir com a presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), Maria Helena Guimarães, a utilização dos mecanismos de avaliação do ministério para todo o sistema educacional da indústria e do comércio.
Paulo Renato ressaltou a importância do Enem na reforma do ensino médio, que precisa, segundo ele, ampliar os horizontes dos alunos e ajudá-los a escolher o que fazer no futuro - ir para a universidade, para o ensino técnico ou para o mercado de trabalho.
Hoje, diz o ministro, o ensino médio limita-se a preparar os alunos para passar no vestibular e ingressar nas universidades.
Esse novo enfoque do ensino médio será reforçado, no dia 15 de setembro, com o lançamento dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, feito em 1998 para o ensino fundamental).O documento explicará a professores e alunos de forma detalhada o enfoque que as redes de ensino públicas e privadas deverão dar às disciplinas.
"O Enem é afinado com o currículo do ensino médio; não é como o vestibular que muitas vezes, tem seu programa baseado no que a universidade quer que o estudante saiba", diz Maria Helena.
Ao visitar uma sala de prova na Fatec, Paulo Renato disse aos alunos que o Enem se está consolidando como uma alternativa ao vestibular. Ano passado foi aceito por menos de dez universidades e este ano está sendo adotado por 54 instituições, incluindo as Universidades Estadual e Federal de São Paulo (USP e Unifesp) e de Campinas (Unicamp). Além disso, o número de inscritos subiu de 115 mil (que tiveram as inscrições financiadas pelas redes públicas da maiores capitais do País) para os atuais 347.010 (20% do total de alunos matriculados no ensino médio), sendo que apenas 9,5% das inscrições foram pagas por secretarias municipais ou estaduais de educação.
Paulo Renato acredita que a tendência dessas escolas é utilizar o Enem não apenas como substituto da primeira fase do vestibular (quando são exigidos conhecimentos gerais) como para tudo. "As universidades vão acabar entendendo que há formas melhores de avaliação do que uma prova de conhecimentos específicos na forma como é feita hoje", diz o ministro. Para ele, a tendência é a de que essas provas também exijam habilidades, assim como o Enem, só que com mais profundidade.

mockup