Brasília - O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, voltou a rebater ontem as críticas sobre a escolha dos autores citados em questões do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), realizado no último final de semana. Mercadante negou que o exame tenha "viés de esquerda" - como disseram, por meio das redes sociais, alguns internautas e deputados como Jair Bolsonaro (PP-RJ). E defendeu que a prova também não seja "machista".
"Evidentemente que o Enem não pode ser o exame da educação marxista", disse, em referência às críticas do deputado. "Mas, enquanto estivermos lá, também não vai ser da educação machista", afirmou, em audiência no Senado sobre os programas do MEC. A frase gerou aplausos de senadoras mulheres e de uma pequena parte do público que acompanhava a audiência. Um dos principais pontos de debate nas redes sociais ocorreu em torno de uma questão que citava o trecho de um livro de Simone de Beauvoir, no qual a autora afirma que "não se nasce mulher, torna-se".
"O que ela [Simone de Beauvoir] está discutindo é a condição histórica da mulher. É a conquista dos direitos da cidadania. Essa é uma reflexão que a sociedade precisa fazer, especialmente num país como o nosso", afirmou o ministro. "Seria fantástico um país como o Brasil censurar uma autora como Simone de Beauvoir. Isso pode ser tudo, menos educação. Educação é pluralidade, é crítica, é abrir os caminhos para a reflexão". Para Mercadante, "não há uma só passagem do Enem que não seja um chamado à reflexão". "Não há imposição, doutrinação, é reflexão. Tenham uma atitude crítica, estudem e conheçam", completou.
Durante a audiência, em que comentou sobre as ações do Ministério da Educação, senadoras também elogiaram a escolha do tema da prova de Redação, sobre "persistência da violência contra a mulher" na sociedade brasileira. Segundo o ministro, mesmo com iniciativas como a lei Maria da Penha e do combate ao feminicídio, a situação "não mudou na velocidade que deveria", o que faz com que a escolha do tema seja de "grande contribuição". Ao todo, 7,7 milhões de pessoas se inscreveram para participar do Enem - destes, cerca de 6 milhões realizaram o exame, também composto por quatro provas objetivas. Os gabaritos devem ser divulgados hoje.

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