O primeiro dia de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi aguardado com ansiedade pelos mais de 26 mil candidatos inscritos em Londrina. Nas últimas semanas, ocupações realizadas por movimentos estudantis contrários à proposta de reforma do ensino médio e à limitação de gastos públicos deixou os inscritos em alerta. Porém, em Londrina, todos os locais de prova foram desocupados antes mesmo do prazo estabelecido pelo Ministério da Educação (MEC) e o exame começou com tranquilidade.

A entrada dos estudantes nos locais de provas neste sábado (5) foi liberada por volta das 12 horas. Os portões foram fechados às 13 horas e o exame foi aplicado a partir das 13h30. Neste sábado, os candidatos tiveram 4h30 para responder 90 questões de ciências humanas e de ciências da natureza. Para Lara Maria Mastelini, 20 anos, a prova é mais um teste de resistência do que de conhecimento. "A prova manteve o nível. Sempre foi uma prova complicada. A maioria das questões é de interpretação. Começo pela parte de exatas, mas depois de umas 50 questões você lê e já não absorve mais nada", contou ao deixar o Colégio Estadual Vicente Rijo (área central). Lara cursou um ano de Física na UEL e está em busca de outra graduação. "O Enem é meu plano B", explicou.

Após cursar Gastronomia, Larissa Zanin, 25 anos, pretende fazer outra graduação. Ela apostou no Enem para retomar os estudos. "É difícil... Foram 90 questões em um dia. As questões de física e química estavam complicadas. O Enem está mais difícil do que o vestibular, está mais cansativo. Saí mais cedo porque estava com dor de cabeça. A prova tem conteúdo pesado e é um pouco maçante", avaliou.

Já o estudante Leonardo Barbosa, 18 anos, considerou o primeiro dia do Enem mais fácil que o vestibular da UEL. "Fiquei bem nervoso nessas últimas semanas, mas foi tranquilo. Acho que a prova de matemática talvez seja mais difícil", disse.

Em meio à crise, Leia Brugnono, 35 anos, se inscreveu no Enem para voltar a cursar a faculdade. Ela chegou a fazer o curso superior de Administração durante um ano e meio, mas trancou a matrícula por causa do valor das mensalidades. "Achei as questões de química muito difíceis, mas o restante estava tranquilo. Quero voltar a estudar", afirmou esperançosa.

DEZEMBRO

No Paraná, pouco mais de 419 mil estudantes se inscreveram para fazer as provas. O Ministério da Educação registrou mais de 8 milhões de inscritos em todo o país. Neste domingo, os candidatos terão 5h30 para fazer as provas de linguagens, redação e matemática.


Ao todo, as provas de 271 mil candidatos serão aplicadas apenas nos dias 3 e 4 de dezembro em razão das ocupações do movimento estudantil que protesta contra a reforma no ensino médio e outras propostas apresentadas pelo governo federal. Conforme balanço divulgado pelo MEC nesta sexta-feira (4), 364 locais de prova haviam sido ocupados pelos manifestantes em 139 municípios. Outros 41 locais de prova foram ocupados entre a noite de sexta-feira e a manhã de sábado.


No Paraná, 43,6 mil candidatos vão realizar o exame em dezembro devido aos 77 locais de prova ocupados durante o protesto dos estudantes secundaristas. Não houve novas ocupações no estado entre sexta e sábado. "Minha escola até ia ajudar com uma preparação e uma revisão especial antes da prova, mas não deu tempo", lamentou Kawana Araújo, 17 anos, após deixar o local de provas.

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