Enem custou R$ 46 por aluno
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sábado, 03 de novembro de 2012
Das Agências 
Brasília - O governo gastou R$ 46 por inscrito no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o que corresponde a um total de R$ 262 milhões. O custo real da prova chegou a R$ 57 por estudante, mas com o desconto do valor recebido pelo governo com as inscrições, o gasto efetivo acabou ficando mais baixo. Em entrevista coletiva concedida ontem, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, informou que se sente ''seguro e tranquilo'' na aplicação, hoje e amanhã, dos exames para 5,7 milhões de inscritos. Deste total, 1,7 milhão pagaram R$ 35 para participar das provas. Os demais alegaram não ter condições de efetuar o pagamento.
No ano passado, o valor teria ficado menor do que o deste ano. O governo alegou que foram ampliados os itens de segurança, como chips em malotes e cadeados eletrônicos, por exemplo, o que elevou os gastos. Mercadante avaliou que o custo é baixo levando em conta o ''rigor'' na segurança em todas as etapas do processo. ''Não é possível um custo que não fosse este. Para nós, o prejuízo de não fazer bem feito é muito maior'', argumentou.
Segundo ele, foram checados mais de 3,4 mil itens de segurança e qualidade em 11 etapas do Enem, desde o planejamento até a capacitação das 566 mil pessoas envolvidas na aplicação das provas. Nesta fase do exame, a organização concentrou a atenção em 33 itens, numa tentativa de evitar falhas e fraudes, como foram registradas nas edições anteriores. ''É um sistema logístico complexo. Temos todo o cuidado e rigor'', disse.
O governo mobilizou 566 mil pessoas na organização dos exames. A divulgação do gabarito da prova ocorrerá na próxima quarta-feira, dia 7 de novembro, mas técnicos do governo avaliam que na noite de terça-feira, o resultado já estará disponível na internet. O resultado das provas sairá no próximo dia 28.
A maioria dos inscritos está na faixa de 17 e 18 anos. O governo também registrou que 14% dos inscritos têm mais de 30 anos. As mulheres formam a maioria e, entre homens e mulheres, os negros representam 54% do total.
Mercadante reforçou ontem as recomendações para os estudantes inscritos no Enem não perderem as provas. Em coletiva, o ministro lembrou que o exame começa às 13 horas impreterivelmente e os estudantes devem chegar ao local com um hora de antecedência com o cartão de matrícula e um documento com foto.
O Enem terá quatro provas objetivas, com 45 questões cada uma, e a redação. Hoje, os candidatos vão responder a questões de ciências humanas e suas tecnologias e ciências da natureza e suas tecnologias. Amanhã, serão aplicadas as provas de linguagens, códigos e suas tecnologias e de matemática e suas tecnologias, além da redação.
Repensar o ensino médio
O Enem já pode ser comparado às provas adotadas por países desenvolvidos para ingresso em universidades, como o S.A.T., nos Estados Unidos, ou vestibulares unificados de países europeus, como a França e a Alemanha. Apesar de equiparar a prova nacional a modelos estrangeiros consolidados, o professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Remi Castioni diz que, para que o Brasil colha os mesmos resultados educacionais das grandes economias, precisa repensar a estrutura oferecida no ensino médio.
''Precisamos definir de fato qual o papel do ensino médio e a ligação com o ingresso na universidade. É impossível o formato que o ensino médio assumiu, com 23 componentes curriculares. Por isso, ele é hoje pouco atraente e uma espécie de passagem forçada para chegar à universidade. Acabou sendo um mau necessário'', avaliou.


