Enegenheiro cai enquanto fazia rapel e seu estado é grave
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quinta-feira, 16 de setembro de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 17 (AE) - Imprudência. Essa foi a provável causa da queda do engenheiro mecânico Paulo Rogério Yoshikawa de um viaduto de 40 metros de altura, na Avenida Sumaré, ponto de encontro de jovens praticantes do rapel. O acidente, na madrugada de hoje, foi o primeiro ocorrido desde que o esporte radical saiu das montanhas para virar moda na cidade, em 1996.
Internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital das Clínicas, Yoshikawa, de 28 anos, teve fratura exposta nas duas pernas, hemorragia cerebral e lesões torácicas. O estado é grave, segundo os médicos, e até o fim da tarde de hoje ele corria risco de vida.
Testemunhas afirmam que Yoshikawa caiu porque o rapaz não teve o apoio do "segurança" durante a descida. Segurança é a pessoa que fica do lado de baixo, responsável pela trava da corda em casos de emergência. "A causa do acidente não foi a falta do segurança; mas, se ele estivesse lá em baixo, salvaria", conta Vivian Feldberg, que estava no local. "Provavelmente, ele queimou a mão com o atrito da corda e largou tudo." Segundo os relatos, ele estava com outros três rapazes em um grupo isolado dos demais.
Todos os dias, principalmente à noite, dezenas de jovens concentram-se sobre a ponte em busca de adrenalina. Quando a atividade começou, há quase quatro anos, o esporte era praticado só por técnicos, que treinavam no viaduto. O rapel é utilizado nas descidas de escaladas de montanhas e em resgate. Virou hit e passou a reunir uma moçada em busca de diversão. "Os efeitos foram trágicos", conta um dos pioneiros, Cláudio DAlessandro.
Ele abandonou a Sumaré exatamente por causa da imprudência. "Vi gente descendo com cordas frágeis, sem ligar para nada; tinha medo do que podia acontecer." O estudante Ronald Julian, que pratica alpinismo, cansou de ver gente bebendo antes da descida. "Até em banqueta de madeira eles descem; isso é um absurdo."
Yoshikawa deu entrada no HC à 1h22 e, segundo as últimas informações, ele poderia ter de passar até por outra cirurgia. O que mais preocupa os médicos são as lesões toráxicas, que podem comprometer pulmões e coração.
Susto - A queda não assustou os frequentadores da Sumaré
que fizeram questão de comparecer ao local para explicar técnicas e fazer malabarismos. Mas deixou preocupados os donos das empresas radicais, que oferecem passeios onde o rapel em cachoeiras é o tema principal. "Dois clientes já cancelaram a viagem", conta Reginaldo Costa, dono de uma agência.
O alpinista Paulo Gil, de 34 anos, lembra que o rapel não é perigoso, se praticado corretamente. "Aqui não é o lugar ideal", diz ele. "E a garotada não tem todo o equipamento necessário." Para descer com segurança são necessários capacetes, mosquetões, cordas especiais luvas e, principalmente, instrução.


