Uma doença enigmática. É assim que os médicos se referem à endometriose, que atinge mulheres em idade fértil, podendo causar muitas dores durante o período menstrual e até infertilidade. Mas, nada pode ser generalizado quando se fala da doença que não tem cura, nem causa definida, enfatiza o médico ginecologista Ricardo Mendes Alves Pereira, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A cavidade uterina, explica o médico, é revestida por um tecido chamado endométrio. Tecido que durante o ciclo menstrual normal sofre influência dos hormônios femininos, cresce e é expelido na menstruação. ''O tecido fica sem o hormônio progesterona, que é a vitalidade dele. A menstruação é basicamente a descamação do endométrio, mais sangue'', reforça.
Já a doença é quando esse tecido surge em outros locais - na região atrás do útero, no ovário, e até mesmo no intestino e na bexiga. E causa problemas, porque nessas regiões não há como expelir o tecido morto. O que acontece então, segundo o ginecologista, é que há um sangramento mínimo no abdome, causando inflamações, já que o endométrio é rico em substâncias inflamatórias.
O organismo, então, repara a lesão com uma cicatriz, e como isso ocorre mês a mês, o local vai ficando mais espesso, sujeito até a formação de nódulos. ''Quanto mais intenso o processo, maior a lesão'', alerta o ginecologista.
Todo esse processo pode causar fortes dores, as dismenorréias (cólicas menstruais), que atrapalham a qualidade de vida, mas são muitas vezes aceitas como ''normais'' no ciclo menstrual da mulher (leia texto sobre o assunto nessa página).
Pode causar ainda infertilidade, explicada por duas razões. Primeiro, por causa das alterações anatômicas que as lesões provocam nos órgãos internos - na trompa e no ovário, isso impede a fecundação. Segundo, por causa de alterações imunológicas de substâncias que confluem para a gravidez, o que pode dificultar a ovulação. Tanto é que 80% ou mais dos casos em que há associação de cólicas fortes mais dificuldade para engravidar são de endometriose.
E ainda há sintomas como irregularidade menstrual, dores pélvicas, aumento do fluxo, e disfunções cíclicas, sempre no período pré-menstrual e durante a menstruação, em órgãos como a bexiga e o intestino. Também é comum, dor durante a relação sexual. ''Alguns casos evoluem de tal forma que mesmo depois da menstruação há dor'', ressalta Pereira.

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