Santiago, 5 (AE) - O grupo chileno Enersis, agora sob controle da espanhola Endesa, está sendo preparado para transformar-se na maior e principal companhia energética da América Latina. Os rumos dessa transformação podem ficar definidos hoje, quando sai a decisão preliminar da Comissão Antimonopólio do Chile sobre a venda ou não de mais 35% das ações da companhia de geração de energia Endesa, do Chile, à Enersis.
Embora a razão social seja semelhante, a Endesa espanhola e a Endesa chilena não têm - pelo menos até agora - relação jurídica alguma, embora a Enersis detenha 25% da geradora chilena. Com a aquisição de mais 35%, a Enersis passaria a ter 60% da Endesa chilena.
A confusão não se restringe apenas aos nomes das empresas, mas também ao emaranhado de participações, investimentos e controles das três companhias na América Latina, onde têm cerca de 10 milhões de clientes.
No Brasil, por exemplo, a parceria Eneresis/Endesa (espanhola), controlam a Cerj (Companhia Energética do Rio de Janeiro), a Coelce (Companhia Elétrica do Ceará) e a usina Cachoeira Dourada. No Chile, a confusão é maior, já que a venda da Endesa para a Enersis está sendo contestada não apenas pelo governo, mas também pela sociedade e políticos, que estão usando crise energética do país como bandeira contra a "nova invasão espanhola" à América Latina.
Enquanto essa confusão não se define, a Enersis aprovou na segunda-feira a emissão de US$ 1 bilhão em ações. Boa parte desses recursos servirá de base para a participação do grupo nos leilões de privatização de energéticas brasileiras. Outra parte será utilizada na ampliação dos controles e em investimentos.
"A meta da espanhola Endesa é transformar a Enersis no veículo de seus investimentos no mercado latinoamericano, onde já tem fortes participações", disse um alta fonte da Enersis à AGÊNCIA ESTADO em Santiago. O passo seguinte da Endesa, por exemplo, será ampliar suas participações no Brasil.
"O controle das companhais nas quais tem participação está claramente definido nas metas da Endesa e deve ficar definido assim que a aquisição da chilena Endesa seja sincretizada", acrescentou a fonte. Essa operação está estimada em cerca de US$ 2,5 bilhões depois que a norteamericana Duke Energy desistiu do negócio.

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