A 17ª edição do EncontrosFolha, que será realizada nesta quarta-feira (9), tem como tema "A Tecnologia e a Inteligência Artificial a Serviço da Saúde". O evento é em formato presencial, das 8h às 11h30, no Aurora Shopping, na Gleba Palhano, na zona sul em Londrina.

A mediação ficará a cargo de João Claudio Santilli, farmacêutico bioquímico especialista em Análises Clínicas. Os painelistas convidados são José Gustavo Sampaio Gontijo, secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia; Ricardo Brandina, coordenador do Serviço de Cirurgia Robótica da Iscal (Irmandade da Santa Casa de Londrina) e Lucas Gianolla, gerente de Projeto do Hospital Unimed Londrina.

Santilli destaca que a tecnologia e a inteligência artificial estão sendo aplicadas em larga escala em todas as áreas, em uma velocidade cada vez maior, e na saúde não poderia ser diferente. “Essa área apresenta um diferencial, uma vez que impacta diretamente prevenir, diagnosticar e tratar doenças, salvando vidas. Essas inovações podem aumentar extraordinariamente a capacidade de produção na área, seja na prestação de serviços, na formação de profissionais ou na fabricação de produtos para a saúde”, lista.

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Santilli explica que, vencida a etapa da validação da segurança do processo, os custos de produção e operacionais inicialmente tendem a ser elevados. “Mas com uma ampliação da utilização e aumento da escala, tais custos diminuem, chegando por vezes a ser menores que os procedimentos tradicionais.”

O mediador acrescenta que Londrina já dispõe de um ecossistema que fomenta um ambiente favorável à inovação. “Especificamente na área da saúde, temos o Polo de Saúde de Londrina, o Salus [Saúde Londrina União Setorial e o Alis [Arranjo Londrinense das Indústrias da Saúde], que, entre outras atividades, também focam nesta área.”

ROBÓTICA

A Santa Casa de Londrina vai iniciar, neste mês, um programa de cirurgia robótica com tecnologia de última geração, ao ofertar o único serviço do tipo fora de Curitiba em território paranaense – e um dos poucos no Sul do País.

A cirurgia robótica pode ser utilizada em qualquer paciente em que se opera em cavidade. As especialidades que mais utilizam essa tecnologia são a urologia, a cirurgia geral e a ginecologia, mas cirurgias torácica e cardíaca, de cabeça e pescoço e oncológica também podem usar a plataforma robótica.

“No Brasil, a principal cirurgia realizada com a plataforma robótica é para tratar o câncer de próstata”, destaca Ricardo Brandina, coordenador do Serviço de Cirurgia Robótica da Iscal (Irmandade da Santa Casa de Londrina).

O médico explica que, nessa modalidade, o robô não opera sozinho. O cirurgião comanda os braços do robô, por isso é preciso um médico bem-treinado para fazer a operação com segurança. “É basicamente uma cirurgia com pequenas incisões, e por meio desses pequenos orifícios a gente acopla os braços do robô e o cirurgião comanda por um aparelho com imagem tridimensional e em alta definição. Toda manobra que o profissional faz se reproduz na ponta da pinça do robô. Isso traz uma precisão muito maior porque é um movimento com filtragem de tremor, mais refinado do que o feito pela mão humana”, detalha.

Por conta da maior precisão, no caso do câncer de próstata, por exemplo, é possível atingir níveis de cura semelhantes aos obtidos por qualquer outra técnica, mas com a diferença que o paciente fica com menos sequelas como, por exemplo, incontinência urinária ou perda de ereção.

Brandina acrescenta que o Brasil deu início à cirurgia robótica em 2008. Nos Estados Unidos, 99% dos pacientes operados hoje com câncer de próstata são submetidos a cirurgias com robôs. A maioria dos médicos lá já sai treinada da residência para operar cirurgia robótica.

“O médico que não opera com a plataforma robótica nos EUA está fora do mercado de trabalho. Aqui no Brasil nós ainda precisamos treinar muitos médicos para poder operar com robô, então o desafio é o profissional ter interesse e passar por treinamento para começar a operar”, conclui o médico, que ficou por três anos nos Estados Unidos adquirindo know-how antes de implantar o serviço na Santa Casa de Londrina.

MACHINE LEARNING

Lucas Gianolla, gerente de Projeto do Hospital Unimed Londrina, destaca que a companhia trabalha muito com o recurso de machine learning – ramo da inteligência artificial baseado na ideia de que sistemas podem aprender com dados, identificar padrões e tomar decisões com o mínimo de intervenção humana. “Ele nos permite otimizar processos e ter mais efetividade nas entregas ao usuário. Esses recursos vinculados ao desenvolvimento de algoritmos trazem novas experiências e segurança ao cuidado”, pontua.

O uso da tecnologia abrange desde desburocratizar autorizações ou solicitações de saúde (consultas, exames, medicamentos) até cuidados preventivos, como aferição de sinais vitais e pequenos exames não invasivos, buscando oscilações de padrões de normalidades fisiológicas.

Segundo o gerente, as novas tecnologias estarão cada vez mais inseridas no dia a dia, seja para monitoramentos remotos preventivos ou intervenções cirúrgicas/diagnósticas de alta complexidade.

“Estaremos cada vez mais adaptados com dispositivos que nos possibilitam estar conectados de maneira direta e indireta com inteligências que facilitam os acessos aos recursos de saúde, seja para simples consultas eletivas ou mesmo necessidades de urgência e emergência.”

Um dos desafios é estender toda essa tecnologia aos pacientes sem plano de saúde. Gianolla pondera que, como vivemos uma crescente de novos recursos tecnológicos, o barateamento ocorre à medida que essa tecnologia é mais consumida. “A dificuldade não estará no custo, haja vista que tratar um paciente com uma doença mais evoluída é mais custoso que implementar recursos em uma determinada população sadia”, pondera.

MINISTÉRIO

O 17º Encontros Folha será aberto com a palestra de José Gustavo Sampaio Gontijo, secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia. Gontijo vem de Brasília a Londrina para explicar sobre as ações que o governo federal vem realizando, por meio do MCTI, para a área de saúde.

Ele explicou que a Secretaria de Empreendedorismo e Inovação vem atuando em três áreas de atuação. A primeira, com foco em tecnologias disruptivas, trata desde a área de biocombustível, energia nuclear e tecnologias para a saúde. Um dos projetos é justamente a constituição de um centro de referência em tecnologias disruptivas no município de Uberlândia (MG).

A segunda área de atuação trata dos ecossistemas de inovação e nesse campo estão inseridos os parques tecnológicos e as políticas voltadas para o desenvolvimento de startups, entre eles a criação do Marco Legal das Startups.

Já a terceira área de atuação é voltada para a transformação digital, incluída aí a indústria eletroeletrônica, a implantação da Lei doTIC nacional, que trata de investimentos de empresas em atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, referentes ao setor de tecnologias da informação e comunicação.

"Dentro dessa estratégia brasileira de transformação digital nós decidimos priorizar áreas, duas muito vinculadas ao PIB - o agronegócio e a indústria, inclusive a indústria de base - e outras duas muito relacionadas à qualidade de vida da população, que é a cidade, onde a gente vive, as cidades inteligentes, e a área de saúde", explicou Gontijo.

É nesse recorte de atuação do MCTI que surge, por exemplo, a Câmara de Saúde 4.0, com objetivo de alinhar as políticas públicas de saúde com os investimentos e politicas voltadas para a transformação digital.

Gontijo concorda que, assim como aconteceu em outras áreas, como a educação, a pandemia da Covid-19 acelerou a transformação digital na área da saúde. "Tecnologias ja existiam há muito tempo, como a videoconferência. Mas a intensidade como ela foi utilizada durante a pandemia e nessa transição de pandemia para a pós-pandemia é muito grande. Antigamente quem fazia videoconferência eram profissionais em reuniões de alto nível. Hoje em dia a minha avó faz consulta por telemedicina. Uma coisa foi puxando a outra", lembra o secretário.

Ele destaca o trabalho do Congresso Nacional e do Conselho Federal de Medicina durante a pandemia para regulamentar as teleconsultas. "O atendimento ótimo é o presencial, interação médico-paciente, olho no olho, o que eles chamam de padrão ouro. Mas quando você pensa em uma situação em que você tem um país do tamanho do que a gente tem, uma pessoa não precisar se deslocar 100 km para se consultar com um especialista. Chegar lá, ainda pegar fila", explica. "Se você tem esse atendimento prévio virtual, talvez, nem precisasse se deslocar. Isso certamente melhorou muito a qualidade de vida da população."

O EncontrosFolha é uma realização do Grupo Folha de Londrina, com correalização do Sebrae e patrocínio da Cooperativa Agroindustrial Integrada, Irmandade Santa Casa de Londrina, Unimed e Urolit, apoio da Frezarin Eventos, e participação do Hospital do Câncer de Londrina.

ENCONTROS FOLHA 2022

A Tecnologia e a Inteligência Artificial a Serviço da Saúde

09/11 (quarta) – das 8h às 11h30 – Aurora Shopping

Palestrante:

José Gustavo Sampaio Gontijo, secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia

Painelistas:

- Ricardo Brandina, coordenador do Serviço de Cirurgia Robótica da Iscal (Irmandade da Santa Casa de Londrina)

- Lucas Gianolla, gerente de Projeto do Hospital Unimed Londrina

Mediador:
- João Claudio Santilli, farmacêutico bioquímico especialista em Análises Clínicas

INSCRIÇÃO

Para se inscrever, basta acessar o link: https://www.sympla.com.br/evento/a-tecnologia-e-inteligencia-artificial-a-servico-da-saude/1775890

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