Encontro vai debater situação dos policiais
Curitiba- A defasagem de policiais nas ruas e o pouco investimento em equipamentos e inteligência são os principais motivos para o crescimento da criminalidade no Brasil. De acordo com o advogado criminalista, Elias Mattar Assad, presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas, poucos policiais (entre militares e civis) fazem o trabalho de segurança, prevenção e investigação de crimes no Paraná. A média, segundo ele, seria de dez policiais militares em cada um dos 399 municípios paranaenses.
''Estou falando a grosso modo, mas é importante a gente entender que o Paraná está com defasagem de policiais. Os que têm estão mal equipados e mal pagos'', analisou ele. O tema deverá ser debatido durante o Encontro Brasileiro de Direitos Humanos Uma Pós-Graduação em Realidade, que será realizado entre os dias 30 de julho e 3 de agosto, no Centro de Convenções de Curitiba.
Para o criminalista, a segurança pública se faz com ação. ''Não dá para fazer segurança pública no Brasil com demagogia. A criminalidade não faz demagogia. Ela age. Temos que estar de prontidão. O cidadão gasta com tributos e não vê os seus tributos sendo aplicados em segurança pública. Isto tem que acabar. O problema é que têm muitos setores que não se interessam por uma polícia independente, que cobra deveres de todos'', analisou ele.
Mattar Assad lembrou que nos Estados Unidos existem muito mais presos do que no Brasil (lá, 1% da população total é carcerária). Entretanto, não existem rebeliões ou facções criminosas. ''Eles investem no presídio. Todo o presídio de lá é de segurança máxima. Se você faz segurança de forma adequada, como nos Estados Unidos, os delitos diminuem e a confiança do povo aumenta'', pontuou ele.
O criminalista dá algumas receitas para se reduzir a violência e evitar a organização de grupos criminosos, como o PCC. ''Temos que ter aumento do efetivo policial, promover a justiça social, cumprir a Lei de Execuções Penais e investir na ressocialização de presos. Sabe quem inventou o PCC? As autoridades. Os mesmos que descumpriram a Lei de Execuções Penais. Não temos defensoria pública e o pobre não tem direito a se defender. Ele é preso. Esta larga lista de descumprimentos fez com que o Brasil (e o Paraná) chegasse a situação em que está atualmente'', complementou o advogado.(L.P.)





