Lima, 28 (AE-IPS) - A reunião de especialistas em dívida externa, realizada esta semana em Lima (Peru), terminou hoje com uma exortação a que se façam auditorias e se examine juridicamente a legitimidade dos US$ 700 bilhões em dívida externa devidos pela América Latina e Caribe. O seminário "Dívida externa e solidariedade global" foi realizado na Universidade Católica de Lima. Os participantes pediram que o tema seja levado ao Tribunal Permanente dos Povos e a Corte Internacional de Haia.
Acrescentaram que o primeiro dos aspectos a ser investigado é a existência de fraudes no acordo das dívidas, cometidos por funcionários corruptos. O segundo seria a decisão unilateral do FMI de transformar as taxas fixas de juros em variáveis, o que aumenta o montante das dívidas e beneficia os credores. Também foi recomendado que alguns governos sejam questionados juridicamente sobre a decisão de converter algumas dívidas públicas em privadas.
O evento foi organizado pela seção peruana da Coalizão Mundial Jubileu 2000. A coalizão recentemente coletou assinaturas em apoio ao papa João Paulo II que pediu aos banqueiros do Clube de Paris o perdão da dívida dos países pobres. Cantores como Luciano Pavarotti e Michael Jackson, o ex-boxeador Mohamed Ali e líderes religiosos como Dalai Lama, apoiaram a iniciativa que, no Peru, conseguiu dois milhões de assinaturas.
A comunidade internacional comprometeu-se hoje em Estocolmo (Suécia) a destinar US$ 9 bilhões para a reconstrução na América Central, em especial Nicarágua e Honduras, os países mais afetados pelo furacão Mitch de outubro e novembro passados. A decisão foi tirada no Fórum Consultivo para a Transformação e Reconstrução da América Central, patrocinado pelo BID e governo da Suécia.
O encontro reuniu 180 delegados de 46 países doadores e beneficiários, assim como de agentes de organismos financeiros internacionais. O dinheiro será entregue aos países em quatro anos.

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