Encontro em Londrina oficializa paralisação
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de janeiro de 2001
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
A União Brasil Caminhoneiro, que reúne sindicatos autônomos em todo o País, deve oficializar hoje uma paralisação nacional da categoria, marcada para o próximo dia 29, segunda-feira.
Nélio Botelho, que se tornou celebridade ao comandar a greve que bloqueou o tráfego nas principais rodovias do País em julho de 1999, confirmou presença no encontro a ser realizado no Hotel Sumatra, área central de Londrina.
Além de Botelho, o evento reunirá líderes regionais do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso. Segundo o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Londrina, que organiza o encontro, já estão confirmadas a presença de 100 participantes.
Ontem, em uma reunião na Câmara de Vereadores de Paulínia, na região metropolitana de Campinas (SP), representantes de centrais sindicais CUT e CGT e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outras entidades civis, confirmaram apoio ao movimento.
Há pelo menos um ano, os caminhoneiros autônomos vêm realizando eventos como este nos principais centros de transporte rodoviário. A decisão que será tomada em Londrina ratifica determinação de outro encontro nacional realizado em Guarapuava, no mês de dezembro.
As decisões desta reunião foram tomadas sob impacto do reajuste da tarifa de pedágio no Estado - em torno de 20% para caminhões - o que levou os caminhoneiros a anteciparem uma postura de enfrentamento com o governo e exigirem a adoção de uma planilha de custos regulamentada por lei para o cálculo do frete. Segundo informou Carlos Roberto Dela Rosa, presidente do sindicato autônomo de Londrina, o pedágio consome cerca de um quinto do frete para os caminhoneiros que circulam no Anel de Integração.
Além da adoção da planilha como norma legal para estabelecer o valor do frete, os caminhoneiros reivindicam o abatimento de 50% do IPVA e a paralisação do programa de concessões de estrada implementadas nos últimos anos pelo governo federal.
Outro ponto fundamental acertado na reunião em Paulínia é a revisão do preço do óleo diesel, que sofreu uma onda de reajustes com a alta significativa nos preços internacionais do petróleo. O movimento argumenta que o Brasil não pode mais ser tão sensível às variações do mercado externo já que, segundo levantamento divulgado recentemente, o País importa apenas 30% do que consome.
Os caminhoneiros querem que seja formada uma comissão de usuários das estradas com poder deliberativo para analisar os contratos vigentes entre os governos e as concessionárias.


