Encontro do PT no Rio começa com confusão
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sábado, 23 de outubro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 24 (AE) - O segundo dia de discussões do 18.º Encontro do PT do Rio só foi aberto às 12h30, com três horas e meia de atraso em relação ao horário inicialmente previsto. Um dos dirigentes da reunião, o professor William Campos, abriu os trabalhos com um apelo para que todos se comportassem fraternamente e sem agressões, mas os ânimos foram ficando acirrados, com troca de insultos e palavras ofensivas, ameaças e agressão física.
"Eu mato/Eu mato/Quem pegou esse Coelho/E transformou ele/Num rato", cantaram militantes do Refazendo e do Opção Popular. Era uma alusão à denúncia de tentativa de compra de votos na convenção, que pesa contra o ex-deputado Ernani Coelho, da Articulação.
Coelho diz que a gravação com a conversa em que a suposta oferta teria sido feita foi montada para o incriminar. Foi formada uma comissão de ética especialmente para investigar o caso. De acordo com acusações de dois integrantes do PT, Reginaldo Rosas e André Luís dos Santos, o ex-deputado teria tentado comprar por 400 reais e mais oferta de cargos públicos votos para a tendência Articulação na eleição da presidência regional do partido.
O secretário de Planejamento do Estado do Rio, Jorge Bittar, da Articulação, ao discursar em defesa do candidato a presidente do diretório, deputado Luiz Sérgio Nóbrega, foi provocado por adversários, que fizeram com as mãos gestos simulando uma boca, a "boquinha" criticada pelo governador Anthony Garotinho (PDT). B Bittar disse que o partido no Rio passa por "difíceis momentos" e criticou o governador que, na opinião dele, cometeu "evidentes excessos" ao atacar a legenda. "Uma das coisas que fragiliza o PT em sua relação com o governo é a sua fragmentação", afirmou.
A vereadora Jurema Batista, quando defendeu a candidatura de Santana, também foi provocada com o sinal da "boquinha" e com o gesto de esfregar o polegar no indicador (significando dinheiro). Em alusão a Nóbrega, que foi prefeito de Angra dos Reis, Jurema criticou "a política equivocada" da cidade, e foi vaiada.
O ex-deputado Vladimir Palmeira, do Refazendo, foi o único a discursar com o plenário em silêncio. Saudado com gritos de "governador", brincou: "Olha que, se bobear, eu saio a presidente." "Pelo menos não vou chamar o ACM para ser coordenador de campanha." Na segunda-feira (18), Lula participou de um seminário sobre pobreza para o qual convidou o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Palmeira disse que o partido "está se preparando para perder eleições" e dá espaço para o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes crescer. "Somos um partido que não tem mais seiva, não tem mais núcleo", atacou. "Estamos virando um partido trabalhista inglês."
A confusão quase se generalizou quando Antonio Neiva, coordenador do Refazendo, propôs que, antes de começar a votação principal, o plenário votasse algumas questões políticas. Houve confusão, acusações de tentativa de golpe e início de briga, apartada pelo cordão humano de isolamento. "Que revolucionários são esses?" perguntava a vice-governador Benedita da Silva.
Na noite anterior, fora pior: o presidente dos trabalhos
Domício Mascarenhas, encerrou a sessão às 20h40 de ontem (23), depois que grupos rivais trocaram socos, pontapés e cadeiradas. A confusão ocorreu logo depois que a tese-guia, defendida pelo Opção Popular, derrotou a da Articulação por 341 votos a 330. Uma militante protestou, dizendo que o filho pequeno, no tumulto
levou uma cadeirada. "Parece baile funk", resumiu um delegado.


