Encontro discute quatro novos medicamentos contra diabete
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Gabriela Scheinberg, especial para a AE 
São Paulo, 25 (AE) - Os diabéticos poderão contar com quatro novos medicamentos para ajudá-los a controlar o açúcar no sangue. As substâncias, que estão sendo desenvolvidas, atuam de forma diferente nos pacientes. De acordo com Antônio Roberto Chacra, professor de endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo, essas drogas são recomendadas para pessoas com diabete tipo 2, caracterizada pela baixa produção de insulina. Outra manifestação da doença é a diabete tipo 1: quando o paciente não têm produção dessa substância.
Sem insulina, todo o açúcar consumido não entra nas células. A falta de açúcar, também chamado de glicose, faz com que o corpo não consiga produzir energia para exercer suas funções. A repaglidinida e a nateglinida são substâncias que aumentam a produção de insulina. Essas drogas devem ser usadas antes de o paciente comer. "Dessa forma, enquanto o açúcar entra no corpo, a insulina está sendo produzida", explicou Chacra. Os remédios foram apresentados durante o encontro anual da Associação Americana de Diabete, que terminou esta semana em San Diego, na Califórnia.
Outras duas substâncias em desenvolvimento são a rosiglitazona e a troglitazona, que atuam no paciente diabético tornando-o mais sensível à insulina. Aumentar a sensibilidade garante maior absorção da insulina no corpo. Esses medicamentos estão em fases diferentes de aprovação no Brasil. No entanto, a maioria já está disponível nos Estados Unidos.
Todo diabético precisa monitorar sua glicemia (taxa de açúcar no corpo). Níveis altos indicam que a glicose não está entrando na célula e, portanto, falta insulina. A forma habitual de controlar a glicemia é por meio de uma picada na ponta do dedo, para que uma gota de sangue possa ser verificada em um aparelho que mede o açúcar. Novas microlancetas apresentadas no encontro permitirão que a picada seja feita em qualquer parte do corpo. "Isso ajuda muito o diabético que está com as pontas dos dedos machucadas de tanto picar", comentou Antônio Carlos Lerário, professor de endocrinologia da Universidade de São Paulo, que esteve presente no encontro. Essas microlancetas colhem gotas menores do que as agulhas tradicionais, diminuindo, assim, o trauma provocado pela picada.
Pesquisa - Centros de pesquisa estão à procura da causa da doença. "Estamos avançando no campo de pesquisa molecular", disse Lerário. A insulina é produzida pelas células beta do pâncreas. No caso da diabete tipo 1, uma causa desconhecida, porém de origem do sistema de defesa do corpo, destrói essas células, impedindo a produção de insulina. Já no tipo 2, a produção de insulina é reduzida gradualmente por mecanismos não totalmente conhecidos. No entanto, sabe-se que essa redução da produção não é provocada pelo sistema de defesa.
Lerário informou que, durante o encontro, médicos de centros espalhados pelos Estados Unidos apresentaram estudos sobre algumas enzimas que podem estar ligadas ao mecanismo que provoca a diabete. "Além dessas enzimas, há indícios de que outras substâncias também estão relacionados à causa", informou o Lerário. Embora sejam apenas suposições, o especialista acredita que, no futuro, essas enzimas poderão ser bloqueadas por remédios, permitindo que o corpo produza insulina normalmente. "Descobrir a causa sempre foi o grande mistério dessa doença."
Chacra discute o transplante de pâncreas como uma das formas de tratar e curar a diabete. Com um pâncreas novo, o paciente pode produzir a insulina. "O transplante promove uma reversão das complicações decorrentes da diabete", explicou Chacra. Entre as complicações mais comuns estão problemas renais
cardíacos, cegueira e impotência sexual.
No Brasil, o transplante de pâncreas é realizado, geralmente, associado ao de rim. "Essa técnica ainda é muito nova", informou o endocrinologista. "O procedimento não está tecnicamente evoluído a ponto de se poder indicar esse tratamento para uma porcentagem maior de pacientes."


