São Paulo, 30 (AE) - Especialistas reuniram-se hoje em São Paulo para discutir a principal causa indireta de morte materna no Brasil: os problemas cardíacos. Apesar de o índice de mortalidade ter-se reduzido bastante, médicos afirmam que o número de mortes ainda é muito alto. "Pior é que grande parte desses problemas poderia ser evitada com um tratamento pré-natal adequado ou com um bom planejamento familiar", disse a presidente do Departamento de Cardiopatia e Gravidez da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Walkíria Samuel ávila.
No Instituto do Coração o índice de mortalidade registrado é de 3%. Mas, acredita-se que em locais com assistência menos privilegiada, essa porcentagem seja maior. A principal conquista para mulheres cardiopatas, diz Walkíria, é a nova geração de pílulas anticoncepcionais. "Infelizmente, o assunto ainda é pouco conhecido e muitas acabam engravidando por acreditar que as pílulas são contra-indicadas para elas." Segundo ela, as pílulas devem ser receitadas com o aval do ginecologista e cardiologista. Feito o acompanhamento adequado, esse método é bastante seguro, garante Walkíria.
A cardiologista explica que, durante a gestação, o volume sanguíneo aumenta 40% e a frequência cardíaca, 20%. "Mulheres sadias suportam essa alteração, mas as que já apresentam distúrbios podem ter várias complicações." Com o aumento do trabalho do coração, podem ter insuficiência cardíaca
arritmias e edema nos pulmões.

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