Encontro de manifestações de diferentes gerações
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domingo, 29 de maio de 2016
Carolina Avansini<br>Reportagem Local
Um encontro de manifestações culturais de diferentes gerações marcou o encerramento da Expo Japão, evento promovido pela Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel) que terminou ontem na sede da entidade. A festa abriu espaço para atrações tradicionais, como a apresentação do instrumento Koto, e também para novidades do universo adolescente, como os grupos de K-Pop. Delícias da culinária oriental, feira de produtos japoneses a exposição agrícola completaram a festa que já acontece em diferentes formatos há 55 anos em Londrina.
Logo na entrada do pavilhão, o grupo Londrina Koto No Kai chamou a atenção dos visitantes com apresentações de Koto, um instrumento musical inventado na China e que foi levado por mercadores ao Japão no século 16. "Era um instrumento muito apreciado pelos nobres", conta Elizabeth Morikawa, que aprendeu a arte do Koto com uma professora de São Paulo e agora dissemina o instrumento em Londrina. "Tocamos músicas eruditas e populares, que chamam a atenção do público porque estimulam a concentração", contou. O grupo utiliza o Koto de 13 cordas, mas Elizabeth revela que alguns modelos têm mais de 40 cordas.
No Espaço Nerd, organizado pelo grupo Banana Atômica, as cotas de malha produzidas pelo artesão Malk The Swaken também chamaram a atenção pela inspiração medieval. Os produtos simulam as antigas armaduras utilizadas por guerreiros do Japão e da Europa e são usados por praticantes das chamadas "artes marciais históricas europeias". "Aprendi a fabricar as cotas que são feitas de metal consultando antigos manuais. Era um hobby e virou profissão", relata ele, que vende também para colecionadores e pessoas ligadas ao teatro. "Queremos criar um museu sobre os contextos das guerras", antecipa.
As amigas Laíze Bianchi, Kamila Leão e Marina Leão vieram de Maringá (Noroeste) para mostrar números de K-Pop. Elas têm um grupo de dança que apresenta coreografias embaladas por música pop coreana, uma tendência entre os adolescentes e jovens que gostam da cultura dos animes e praticam cosplay, o que implica em se vestir como personagens dos quadrinhos japoneses. "No ano passado ganhamos um campeonato de dança aqui na Expo Japão, por isso fomos convidadas. O K-Pop já tem muitos fãs em Londrina e Maringá", contam.
Na tradicional Exposição Agrícola, que mostra a produção de legumes, frutas e flores de produtores da comunidade, o grupo Heiwa Tomonokai vendeu mudas de plantas para arrecadar recursos que vão ser usados para uma viagem a São Joaquim (SC), onde os veteranos participantes da turma querem visitar a colheita da maçã fuji. Masasasuki Mashima, 83, é um dos componentes do grupo formado por imigrantes que chegaram ao Brasil depois da Segunda Guerra Mundial e se reúnem mensalmente para trocar lembranças da época.
A filha de Mashima, a médica Denise Akemi Mashima, estava acompanhando o pai, que fala pouco em português. Ele chegou a Londrina em 1964, como funcionário da antiga Cooperativa Agrícola de Cotia, depois de ter passado um tempo em São Paulo. "Naquela época não tinha emprego para todos no Japão, por isso o governo estimulava a imigração para o Brasil", explica Denise, que ajudou também na comercialização das mudas doadas por amigos. "A novidade foram as mudas de cerejeiras. Nosso plano é fazer um jardim japonês na Acel com as plantas que sobraram", antecipa.
Para quem aproveitou o domingo para visitar a feira, a diversidade de atrações garantiu diversão para toda família. O segurança José Carlos da Costa Lima foi à Acel para assistir as apresentações de Aikido, que ele também pratica. A filha Giovana acompanhou o pai ao evento, mas gostou mesmo do show de K-Pop. "É legal porque teve atrações para todas as idades", elogiam eles, que aproveitaram a visita para experimentar também as iguarias da culinária oriental disponíveis na Praça de Alimentação.
Eduardo Tominaga, coordenador geral da Expo Japão, ainda não tinha um balanço do número total de visitantes, mas adiantou que, nos horários em que o clima colaborou, a presença do público foi um sucesso. "É uma festa muito querida da comunidade, as pessoas já esperam o feriado de Corpus Chisti para prestigiar", diz.