Encontro de deputado com traficante causa mal-estar na CPI
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segunda-feira, 13 de dezembro de 1999
Por Roberta Jansen e Felipe Werneck 
Rio, 13 (AE) - O deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), integrante da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, disse hoje esperar que os integrantes da CPI se reúnam para avaliar a situação do deputado Wanderley Martins (PDT-RJ), que também faz parte da comissão. Há dois anos, Martins foi filmado em um churrasco ao lado do traficante Walter Gomes de Carvalho Filho, o Waltinho - fato que acabou gerando a abertura de um inquérito. O traficante, que estava foragido, foi preso no domingo. "As explicações dadas pelo deputado até agora não me convenceram", afirmou Biscaia.
O churrasco, em comemoração à inauguração da nova sede da Associação de Moradores do morro Boavista, em Niterói, ocorreu no dia 31 de maio de 1997. Na época, Martins estava licenciado da função de delegado da Polícia Federal (PF) porque era candidato a deputado federal. Quatro meses depois, uma fita de vídeo com imagens da festa foi apreendida por homens do 12º Batalhão da Polícia Militar (BPM) durante uma incursão no morro Boavista. Na fita, Martins aparece conversando com Waltinho.
Em maio de 1998, o Ministério Público Federal abriu um inquérito para apurar o episódio. No mesmo mês, foi aberta uma sindicância interna na PF com a mesma finalidade. Wanderley Martins negou hoje qualquer envolvimento com o traficante. "Era uma festa da comunidade", explicou. "Cumprimentei mais de 200 pessoas naquela tarde." O deputado parabenizou a polícia pela prisão de Waltinho que, considera, irá ajudar a esclarecer o episódio. "Minha inocência será comprovada", disse.
Para o deputado Paulo Baltazar (PSB-RJ), que também integra a CPI, a história não afeta os trabalhos da comissão. "A trajetória de Martins no combate ao narcotráfico prova que ele não tem nenhum envolvimento", disse. Embora a maioria dos integrantes da CPI minimize o fato, essa é a segunda vez que os parlamentares são questionados sobre a participação de Martins em investigações sobre o narcotráfico. Na semana passada, o traficante americano John Michael White, em depoimento à CPI, deixou os deputados constrangidos ao questionar a ligação de Martins com Waltinho.
Em outubro do ano passado, a delegada da PF responsável pela sindicância interna, Inês Nunes Fraga, recomendou a abertura de processo disciplinar contra Martins. Em 22 de março deste ano, no entanto, o delegado Angelo Fernando Gigóia decidiu pelo arquivamento, uma vez que Martins se elegera deputado federal. O inquérito aberto pelo Ministério Público está nas mãos do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, desde agosto deste ano.
Prisão - Waltinho foi preso no domingo, durante uma incursão de policiais do 12º BPM (Niterói) no morro Boavista. Ele foi preso em flagrante, com outras cinco pessoas, portando fuzis, pistolas, revólveres e munição. Na tarde do mesmo dia, centenas de moradores da favela tentaram invadir a 76ª Delegacia de Polícia (DP), onde ele está preso, no intuito de libertá-lo. Homens da PM e da Coordenadoria de Inteligência e Apoio Policial (Cinap) foram convocados para reforçar a segurança da delegacia.
O traficante é foragido da Justiça desde agosto de 1995, quando foi condenado a sete anos de prisão por tráfico de drogas e formação de quadrilha. Outros dois mandados de prisão já haviam sido expedidos contra ele pelos mesmos motivos. Waltinho não quis prestar declarações à polícia. Limitou-se a dizer que falará apenas em juízo.


