A prevenção ainda é o melhor remédio contra o câncer. Essa é a grande conclusão do 17º Congresso Mundial de Câncer, que reuniu mais de três mil especialistas de 91 países e terminou ontem no Riocentro, Rio de Janeiro. De acordo com os médicos, 30% dos casos de câncer são causados pelo cigarro e outros 35% por uma dieta inadequada, o que inclui o consumo excessivo de álcool. ‘‘A genética só responde por 10% a 15%, o restante é má qualidade de vida mesmo’’, afirmou o presidente do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Marcos Moraes.
Tanto é assim que, na avaliação dos especialistas, os grandes avanços da ciência na luta contra a doença, como os anticorpos monoclonais, as vacinas e as técnicas de biologia molecular, são praticamente inúteis se as pessoas não melhorarem a qualidade de suas vidas. De acordo com estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), a partir de 2025 o risco de câncer se manterá estável ou diminuirá nos países industrializados, mas continuará aumentando nos países em desenvolvimento, onde o consumo de tabaco é alto e a dieta alimentar inadequada.
Entre os 1.395 trabalhos apresentados no congresso, algumas recomendações para prevenir o câncer foram consenso entre os especialistas. Não fumar é a principal delas. O congresso confirmou que o tabagismo é o principal fator de risco para o câncer. De acordo com pesquisas apresentadas no encontro, quem fuma tem 50% de chances de desenvolver a doença. Comer frutas, verduras e legumes é a segunda recomendação dos médicos. Esses alimentos, segundo eles, têm função protetora contra substâncias cancerígenas. ‘‘O importante é manter uma dieta equilibrada, sem excessos de qualquer tipo’’, afirmou Moraes.
Fazer exercícios regularmente, manter o peso estável, evitar o stress, consumir bebidas alcóolicas com moderação, e expor-se ao sol com cautela são as outras recomendações dos médicos para prevenção do câncer.
No campo dos avanços científicos, uma das maiores descobertas são as vacinas. Produzidas, na maioria das vezes, com anticorpos ou outras substâncias do próprio corpo, as vacinas têm mostrado que, combinadas com outras terapias, podem ter um efeito satisfatório. A engenharia genética, na opinião dos especialistas, ainda tem muito o que avançar. No futuro, o mapeamento total dos genes defeituosos de cada pessoa poderá apontar a propensão a determinado tipo de câncer. A angiogênese, técnica que mata o tumor por asfixia, ao bloquear sua vascularização, é apontada atualmente com o maior avanço.

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