Rio, 08 (AE) - Um código de ética para as redes públicas de televisão. Este deve ser o principal resultado do encontro da Associação Brasileira de Emissoras Públicas Educativas e Culturais (Abepec), que termina amanhã (09), no Rio. O órgão reúne emissoras de televisão de todo o País. De acordo com o presidente da entidade, Jorge Cunha Lima, um dos principais focos do código será o jornalismo. "Enquanto a TV privada visa o mercado, nosso foco é a sociedade e o cidadão", explica. "Por isso, temos que definir as metas de nosso jornalismo dando prioridade ao conteúdo da notícia e não a seu aspecto como espetáculo".
A notícia gerada pelo poder público também será discutida. No entender de Cunha Lima, que preside também a Fundação Padre Anchieta, à qual pertence a TV Cultura, os atos do governo afetam toda a população e, por isso, devem ter destaque, mas o cuidado com a independência do noticiário não deve ser negliganciado. Hoje, 50% das notícias veiculadas têm origem no poder público. "Mas essa não é uma particularidade brasileira", ressaltou.
Ele lembrou que o nível da programação das emissoras públicas não é alvo de críticas. "Mesmo assim, estamos atentos e vamos elaborar um manual de linguagem de emissoras públicas", contou. "O código de ética é o primeiro item de uma discussão que abrange a interferência do marketing na programação e a linguagem em si, ou seja, como as emissoras públicas devem falar ao telespectador", adiantou Cunha Lima.
Alterações - Hoje a Abepec entregou ao secretário de Comunicação da Presidência da República, Andrea Matarazzo, um documento propondo mudanças no tratamento que as emissoras recebem do governo. "As TVs privadas recebem vultuosa publicidade institucional das campanhas estatais, mas as públicas ficam de fora desse bolo", disse. "Queremos mudar essa situação, já que hoje podemos receber apoio cultural e fazer publicidade institucional". Outro documento que será entregue ao governo contém a proposta das emissoras públicas para a nova legislação de comunicação de massas a ser elaborada ainda este ano. "A lei que temos é de 1967, feita pela ditadura militar", explica Cunha Lima. "Além de estar obsoleta, ninguém mais a respeita e, por isso, deve ser mudada".

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