Encontrado corpo de rapaz em tubulação da Sabesp
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terça-feira, 23 de março de 1999
Por Rosa Bastos 
São Paulo, 24 (AE) - O corpo de Tiago Prado Correia, de 15 anos, foi encontrado hoje, às 15 horas, na tubulação da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Ele é um dos rapazes sugados pela pressão da água no reservatório na Vila do Encontro, zona sul de São Paulo. Domingo Tiago e Jackson Lopes da Silva, de 25 anos, nadavam na caixa-dágua quando desapareceram. Silva ainda não foi encontrado.
O corpo de Tiago percorreu cerca de 800 metros desde a torre do reservatório, na Avenida Engenheiro Armando Arruda Pereira, até o registro da Rua dos Comerciários, no Jabaquara, zona sul, onde parou. Ele passou por sete curvas de 90 graus e duas de 45 graus, até chegar ao registro, com 40 centímetros de diâmetro.
As buscas duraram 72 horas. A Sabesp já havia escavado 17 valas nos pontos da tubulação com maior probabilidade de os corpos pararem. Por volta do meio-dia, um forte cheiro no trecho da Rua dos Comissários deu a indicação: um deles poderia estar ali. As investigações, com um pequeno robô, carregando uma câmera portátil, foram intensificadas.
"Meu neto, que eu criei com tanto carinho", disse Wanderley Nascimento Prado, de 57 anos, avô de Tiago, que acompanhava as buscas e começou a chorar quando os técnicos encontraram o corpo. "Que bobagem você fez, meu menino." Ele acusa a Sabesp de negligência. "Todo mundo sabe que a molecada e os mendigos tomavam banho lá."
Prado estava indignado com a declaração do vice-presidente da Sabesp, Antonio Marsiglia Neto, na TV, na qual acusava os pais de "desleixo" na educação dos jovens. "Querem eximir-se de responsabilidade", afirmou. "Meu neto estava errado, mas um erro não justifica outro."
O erro da Sabesp, segundo os moradores do bairro, foi ter descuidado da segurança do local. "Os moleques sobem lá para fumar maconha e aproveitam para se banhar", disse Benício Latorre, de 66 anos, que mora há 18 anos no prédio em frente o reservatório. "As moças vão de biquíni e passam até bronzeador", contou o estudante Ademir Moraes, de 21 anos.
Segundo Márcio Riscala, gerente de Comunicação da Sabesp
a empresa nunca recebeu denúncia de que o reservatório estava sendo usado para esse fim.


