Ribeirão Preto, SP, 28 (AE) - A assessoria de Impresa da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), em São Paulo, confirmou que foi encontrada uma arma de fogo dentro da unidade de Ribeirão Preto, onde ocorreu uma fuga em massa no início da noite de ontem (27). Existe a suspeita de que outra arma esteja dentro da unidade. Após alguns disparos, 42 adolescentes, apavorados, iniciaram a uma fuga, ontem. Vinte e quatro foram recapturados pela Polícia Militar; 18 continuam foragidos.
Nenhum dos fugitivos pertenciam ao grupo de 23 menores transferidos da unidade Imigrantes, em São Paulo, na segunda-feira (25), após a rebelião que causou quatro mortes. A situação da Febem de Ribeirão Preto está deixando apreensiva as autoridades locais. O promotor da Infância e da Juventude, Luiz Henrique Pacini Costa, que trabalha há quatro anos na área, disse que a unidade virou "um barril de pólvora". "Os funcionários estão temerosos e, caso não seja tomada uma atitude urgente, a comunidade vai acabar reagindo", comentou ele.
"Estou no limite do stress, não consigo mais dormir e já não tenho como convencer as pessoas de que é necessário fazer mudanças, de investir lá", disse Costa. Para o promotor, a arma encontrada talvez não seja a mesma usada na semana passada, quando o menor F.S.B., de 17 anos, que está foragido, matou R.M.S., também de 17. "Como essa arma entrou lá, não sei, mas falta mais zelo dos funcionários", disse, preocupado. Em sua opinião, a unidade de Ribeirão Preto tem habitabilidade razoável
mas ainda não enfrenta o problema da superlotação como em outras unidades - antes da fuga, existiam vagas para 160 menores e 166 estavam no local.
"Temos duas questões: garantir a vida dos menores e a segurança da comunidade, que não pode ver fugas dessa maneira", disse, lembrando que não tem como separar os menores dentro da unidade. Foi por causa de uma rivalidade externa, de gangues de bairros de Ribeirão Preto, que foram disparados os tiros e iniciada a fuga. Muitos tinham uma preocupação imediata: não morrer. Para o promotor, se os problemas continuarem só existe um caminho a tomar: fechar a unidade.

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