A porta da entrada de Jericó, na Palestina, definida como a ‘‘cidade mais antiga do mundo’’, junto a importantes restos que testemunham sobre a vida cotidiana de seus habitantes 3.000 anos antes de Cristo, foram descobertos esta semana por uma missão conjunta de arqueólogos italianos e palestinos.
‘‘Não se conseguia encontrar a porta de entrada desta cidade, fortificada por várias muralhas. Nós a encontramos a quase oito metros de profundidade e estamos convencidos de que é datada entre 1.900 e 1.550 antes de Cristo’’, assegurou, em uma entrevista à imprensa italiana, Lorenzo Nigro, um dos responsáveis pelas escavações financiadas pela Universidade La Sapienza de Roma.
A descoberta é o fruto da primeira escavação decidida pela administração palestina nos antigos territórios ocupados por Israel em 1967 e devolvidos recentemente.
‘‘A porta está a sudeste, na direção de Jerusalém, por isso a batizamos de ‘‘Porta de Jerusalém’’; estava num ponto de difícil acesso e protegida por duas torres de sete metros de espessura, com uma base quadrada de três metros e meio de largura’’, explicou Nigro, que enfatizou a necessidade de pelo menos três anos para liberar o acesso completamente.
Junto com a descoberta da porta, que os arqueólogos de todo o mundo procuravam desde o século passado, foram localizadas várias casas de 3000 anos antes de Cristo, mais de mil anos mais antigas do que a porta.
‘‘Jericó não é a cidadela mais antiga, mas a primeira com fortificações, com torres de oito metros de altura, em uma época em que os homens caçavam e não existia sequer a técnica de cerâmica. Estamos falando de uns dez mil anos de antiguidade’’, afirmou Nigro.
Graças às seis casas escavadas até agora, foi possível revelar os segredos de um mundo relativamente desconhecido, com seus costumes, seu sistema de alimentação e sua vestimenta.
Entre os restos mais surpreendentes, que serão objeto de estudo, estão os ossos bovinos com dezenas de instrumentos para cortar a carne. ‘‘Será possível mostrar que as vacas não só serviam para dar leite, assim como a carne. Será a primeira vez que isso é detectado na Palestina’’, assegurou Nigro.
Por outro lado, a presença de gado é um fenômeno ligado à formação da cidade e é preciso determinar se os bovinos eram mortos para serem comidos ou para ter sua pele usada, conforme explicou a especialista Francesca Alhaique, que analisará a porosidade dos ossos para estabelecer com que tipo de flora se alimentavam.
Jericó, cidade localizada a 23 km de Jerusalém, no vale do rio Jordão, foi incendiada por ordem do faraó egípcio Ahmose, e abandonada em 3.500 a.C. Sua história tem um buraco de meio século, segundo os arqueólogos italianos.
A conquista milagrosa da cidade, feita por Josué, é narrada pela Bíblia, segundo a qual suas muralhas caíram ao som de trombetas, não corresponde às escavações até agora realizadas, mas os arqueólogos italianos não perdem a esperança de encontrar outra Jericó, construída depois da destruição desencadeada pelos egípcios durante este misterioso meio século de vazio histórico.
A zona arqueológica, que se converteu nos últimos tempos em alvo de turistas, está sendo gradualmente restaurada graças ao patrocínio de uma firma italiana, com visitas para ilustrar quase cem séculos de história.France PressePorta de Jericó foi encontrada a oito metros de profundidadeKelly Velásquez
France Presse

mockup