São Paulo, 22 (AE) - As montadoras reduziram o volume de compras de autopeças em 15% nos últimos três meses na comparação com o período de fevereiro, março e abril. A informação é do presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori, e contrapõe-se à previsão do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, de que haveria aumento de produção para elevar estoques na véspera do fim do acordo emergencial.
Segundo Butori, a indústria de autopeças opera hoje com 30% de capacidade ociosa. Ele estima que a situação continuará ruim este mês e em setembro. Ou pior, já que os fabricantes de componentes deverão receber o impacto de aumentos de preços de insumos, que puderam ser controlados agora.
Com a ajuda do governo, a indústria de autopeças conseguiu parcelar alguns reajustes de preços e protelar outros. Segundo Butori, o aumento de preços do aço não-plano, de 7,6%, foi parcelado em duas vezes - julho e agosto. O aumento de preços do aço plano ficou para setembro.
Mas o setor teve de absorver a elevação de preços de diversos produtos químicos, lembra Butori. Segundo ele, o nego-de-fumo já foi reajustado em 56% este ano. "Na área química nada foi protelado em razão da dependência excessiva do petróleo", destacou o presidente do Sindipeças.
Butori lembrou que todos os programas de pedidos das montadoras são feitos com antecedência. "Temos ouvido que haveria mais pedidos nestes dias, mas até agora não temos sentido qualquer alteraçào nas programações", destacou Butori.
O presidente da Anfavea anunciou recentemente que os fabricantes de veículos aumentariam a produção para fazer mais estoques em agosto. Segundo seu raciocínio, a demanda vai aumentar em agosto porque os preços vão subir em setembro por conta do fim do acordo emergencial.

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