Encol foi uma das maiores do País
São Paulo, 16 (AE) - A Encol chegou a ser uma das maiores construtoras de imóveis residenciais do País. Pediu concordata em 24 de novembro de 1997, mas suas dificuldades financeiras começaram muito tempo antes. Irregularidades administrativas e alto endividamento de curto prazo em época de juros muito elevados provocaram a crise financeira da companhia.
Na ocasião da concordata, estavam paralisadas 710 obras e 42 mil clientes esperavam a entrega de apartamentos, muitos deles já quitados. Seus 12 mil empregados estavam com os salários atrasados. A dívida da empresa era avaliada em cerca de R$ 1,8 bilhão. A primeira parcela da concordata deveria ter sido paga em novembro de 1998, mas isso não ocorreu.
Em 17 de março deste ano, a Justiça de Goiânia decretou a prisão do dono da Encol, Pedro Paulo de Souza, a falência da construtora e o sequestro de bens de todos os envolvidos no processo. Souza estava foragido.
Os problemas financeiros da Encol tornaram-se públicos em maio de 1995, quando a empresa renegociou parte de sua dívida com o Banco do Brasil, avaliada em R$ 106 milhões. A operação envolveu o Fundo de Pensão da Caixa Econômica Federal (Funcef), que comprou parte das ações da Encol no Hotel Renaissance em São Paulo.
As dificuldades financeiras da empresa resultaram em uma espécie de intervenção branca do Banco do Brasil, que indicou um profissional para acompanhar a administração da empresa. Em janeiro de 1997, foi contratado o executivo Jorge Washington de Queiroz, que tinha trabalhado na reestruturação de várias companhias, como a Eluma, do setor de cobre.
Queiroz substituiu Pedro Paulo de Souza, mas saiu da empresa em agosto do mesmo ano, depois de vários desentendimentos com o dono da construtora. Daí em diante, a situação da companhia deteriorou-se cada vez mais, para desespero dos 42 mil clientes da empresa.
Quando a falência da construtora foi decretada, em março
o presidente da Associação de Mutuários da Encol, Charles Belchieur, disse que, dos mais de 700 prédios que estavam com as obras paradas no início de 1997, apenas 211 continuavam em posse da construtora e deveriam ser agregados à massa falida. Nesses 211 prédios, havia cerca de 12 mil compradores de apartamentos.
Uma das suspeitas que se levantaram contra a Encol era de que a empresa usava o dinheiro recebido dos clientes de um prédio inacabado para começar a construir vários outros, sem ter em caixa recursos suficientes para concluir os empreendimentos. Muitos dos materiais empregados em suas obras eram pagos com apartamentos. A permuta era feita até mesmo com pãezinhos das refeições dos empregados.





