Cidade do Vaticano - O Papa João Paulo II convidou os católicos a respeitar rigorosamente a ordem e as tradições da Igreja Católica na 14 Encíclica (carta pontifícia) de seu pontificado, publicada nesta Quinta-Feira Santa. No texto, o Sumo Pontífice denuncia ''os abusos'' que são cometidos com a eucaristia.
A encíclica, de 78 páginas e que tem o título em latim, ''Ecclesia de Eucharistia'' (A Igreja vive da Eucaristia), é uma profunda reflexão sobre a eucaristia, ''o mistério central da fé e da vida cristã'', segundo escreveu o Papa. No documento, o Papa denuncia ''os abusos que não faltaram'' desde que entraram em vigor as normas doutrinais, litúrgicas e ecumênicas do Concílio Vaticano II (1962-65), através das quais a Igreja se modernizou.
Na nova encíclica, o Papa reitera com energia que só podem receber a comunhão aqueles que se acham em ''estado de graça'' e que estão excluídos aqueles que ''obstinadamente persistem em um manifesto pecado grave'', em uma clara alusão aos divorciados que voltam a casar e aos casais que vivem em uma união livre.
O Papa recorda que para os católicos ''a eucaristia é um verdadeiro banquete, no qual Cristo se oferece como alimento'', e enfatiza que apenas os sacerdotes têm o direito de celebrar a missa e dar a comunhão. No documento, João Paulo II critica os católicos que participam em missas de outras confissões cristãs e que não respeitam as normas litúrgicas sobre a celebração, e enfatiza que a missa de domingo é obrigatória para os crentes.
O Vaticano, através de seus ministérios, prepara outro documento com regras específicas sobre os abusos, enquanto o Papa enfatizou que quer antes de tudo revitalizar a eucaristia. O texto, traduzido para vários idiomas, foi entregue simbolicamente a todos os sacerdotes do mundo por ocasião da missa desta Quinta-feira Santa, celebrada ontem na Basílica de São Pedro, no Vaticano, durante a qual o Sumo Pontífice voltou a pedir aos católicos que se comprometam em obter a paz no mundo.
Através desta nova encíclica, João Paulo II quer recuperar o culto da eucaristia segundo a tradição mais rigorosa, para evitar as interpretações equivocadas, explicaram fontes eclesiásticas. O texto, que tem um carácter principalmente espiritual e doutrinário, é profundamente conservador e denuncia toda e qualquer inovação ecumênica.
''Sinto o dever de chamar a atenção para que sejam observadas com grande fidelidade as normas litúrgicas na celebração eucarística'', escreveu o chefe da Igreja Católica. O Sumo Pontífice proíbe aos sacerdotes católicos ''concelebrar a liturgia da eucaristia'' com cristãos não-católicos e convida os fiéis a se abster de participar na comunhão feita por religiosos de outras convicções para ''não avalizar a ambiguidade sobre a natureza da eucaristia''.
O Papa destacou também que ''muitos são os problemas que obscurecem o horizonte de nosso tempo'' e pediu que ''trabalhem com urgência pela paz'', assim como ''pela justiça, solidariedade nas relações entre os povos'' e a ''defesa da vida de sua concepção até seu término natural''.
O chefe da Igreja Católica, que em maio completará 83 anos, espera que, com este documento, sejam dissipadas as ''sombrs de doutrina e práticas não aceitáveis'' sobre um dos sacramentos mais importantes para os crentes.

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