Enchente no Rio Solimões deixa 8 mil desabrigados
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de maio de 1999
Agência Folha 
Na pior enchente da década na bacia do Rio Solimões (AM), cerca de 8.000 pessoas estão desabrigadas e dez cidades estão em estado de calamidade pública. Pelo menos quatro pessoas morreram afogadas no mês de maio - entre elas duas crianças e uma mulher grávida.
A chuva é constante desde abril e atinge as regiões banhadas pelos rios Negro e Solimões. Em Manaus, a Defesa Civil está alertando as 300 mil pessoas que vivem à beira do Rio Negro do perigo de inundação. O rio vem subindo, em média, quatro centímetros por dia.
As cidades em estado de calamidade pública ficam na bacia do Solimões. O pior caso é o de Benjamin Constant (1.116 km de Manaus), que tem 80% de suas ruas alagadas.
Até agora, foram registradas quatro mortes por afogamento na cidade, além de casos de malária, hepatite e diarréia. Nós não temos condições de atender todos, disse Gleissimar Capelo, da Defesa Civil. O prefeito de Benjamin Constant, José Amauri da Silva Maia (PTB), declarou que a prefeitura vem doando madeira e pregos para que a população possa levantar o piso de suas casas. Não pára de chover e as pessoas querem, pelo menos, salvar o pouco que têm.
Segundo Gleissimar, esta pode ser considerada a maior enchente na bacia do Solimões nesta década. A segunda pior foi a de 1994, quando o rio subiu 13 metros além do nível. Até ontem, o Solimões havia subido 13,6 metros - com elevação média diária de sete centímetros. Para ajudar a população desabrigada, o tenente-coronel Nilson Pereira da Silva afirmou que está sendo promovido o SOS Ribeirinho - para recolher alimentos, roupas, madeira e medicamentos.


