ENCHENTE NO RIO PARANÁ - Águas ameaçam população ribeirinha
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sexta-feira, 09 de fevereiro de 2007
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
Lídio Andrade de Lima mora há cerca de 40 anos na Ilha do Cruzeiro, uma das 14 existentes na Região Noroeste do Estado localizadas ao longo do Rio Paraná. Acostumado ao sossego das margens do rio, o pescador tem sido obrigado a viver dias difíceis, passando o tempo todo em casa de amigos ou até mesmo na rua, com a mulher e os filhos. ''Faz uns dez dias que a gente não volta pra casa porque a água cobriu tudo. Perdemos bastante mandioca e agora temos que esperar a água baixar pra ver como ficou'', conta, reunido com a família numa lanchonete localizada em Porto São José, distrito do município de São Pedro do Paraná.
A realidade vivenciada pela família de seo Lídio se repete com outras 15 famílias que também foram retiradas das ilhas da região. Os municípios de Porto Rico e Marilena também estão enfrentando problemas com o aumento do nível do rio, e em Querência do Norte, outras 45 famílias tiveram que abandonar suas casas.
A família do casal João Alves e Dulcinéia da Conceição Lima vive na Ilha da Barra ou Ilha Oléo Cru, a terceira maior do Rio Paraná. Há quatro anos vivendo da pesca e do cultivo de mandioca, milho e mamão, o casal lamenta a perda de toda a plantação. ''O mamão estava a coisa mais linda, agora está tudo no chão'' comenta a mulher. ''Estamos dormindo na casa de um de nossos filhos que moram aqui em São José. Não queremos abandonar de vez a ilha porque temos medo que alguém leve nossas coisas embora'', confessa Dulcinéia, dizendo estar preocupada com um novo aumento da água do rio.
A água começou a subir há cerca de 15 dias e desde então não pára. O secretário do Meio Ambiente de São Pedro do Paraná, Edson Semprebom, lembra que em 1997 o rio chegou a alcançar seis metros acima do nível normal e que desta vez a situação pode ser menos grave, porém, acredita que a água ainda subirá mais nos próximos dias. ''Fomos comunicados pela Defesa Civil que mais água está vindo dos estados de Minas Gerais e São Paulo. Eu acredito que hoje (quarta-feira) está ocorrendo um repiquete, por isso a água baixou um pouco, mas estamos nos preparando para um novo aumento e possivelmente mais famílias terão que sair das ilhas''.
O distrito Porto São José é um dos principais pontos que liga o Paraná ao Mato Grosso do Sul por meio de uma balsa. Com o aumento do volume da água, a subprefeitura de São Pedro providenciou uma grande quantidade de terra para facilitar o acesso dos veículos até a balsa, ainda assim, o meio de transporte teve que ser interditado por conta do aumento da água no outro lado do rio. Com isso, pescadores e comerciantes da região estão sentido o impacto na economia local. ''A estrada de Batayporã (MS) está alagada então não tem como passar. Já faz uns 10 dias que a balsa está parada e só voltará quando o nível do rio baixar'', salienta.
De acordo com informações do Corpo de Bombeiros de Paranavaí, a última vez que o rio subiu foi em 2005, chegando a 4,3 metros acima do nível normal. Os bombeiros explicam que quando as comportas da Usina Sérgio Motta, em Porto Primavera, são abertas, a vasão da água acaba proporcionando aumentos como o que ocorre hoje. Segundo informações da empresa, a vasão normal é de 8.500 metros de água por segundo e hoje este número chega a 17.800 metros. Com essa informação, homens dos bombeiros já se preparam para mais um aumento significativo do rio, que segundo eles, pode alcançar até 5,30 metros nos próximos dias.
Árvores, que hoje já estão com seus galhos em meio a água do rio, foram marcadas pela Defesa Civil da região com o objetivo de alertar os ribeirinhos até onde a água pode chegar. Para o secretário do Meio Ambiente, o aumento do volume de água do Rio Paraná, proporciona apenas uma ''coisa boa'', a fartura de peixes. ''Como estamos na época da Piracema, o aumento do rio vai facilitar a desova. Os peixes acabam desovando em locais onde os predadores naturais não conseguem chegar e isso vai repletir no aparecimento de uma grande quantidade de peixes até o dia 1º de março, quando a pesca voltará a ser liberada'', explica.


