Manaus, 19 (AE) - A enchente do Alto Solimões já atingiu 1.004 famílias do município de Benjamin Constant, a 1.116 quilômetros oeste de Manaus. Hoje, a Comissão Municipal de Defesa Civil informou que o rio subiu 13,5 metros, ultrapassando em 21 centímetros a maior cheia, registrada em 1994. A inundação encobriu as passarelas de tábuas de madeira. Agora, para chegar a determinados locais só é possível com canoa. Também afetou o funcionamento da usina termoelétrica da Companhia Energética do Amazonas (CEAM). A capacidade de energia foi reduzida em 30%. A população de 25 mil habitantes está convivendo com racionamento de energia das 18h às 2h.
Dos quatro municípios afetados pela enchente do Solimões, só o de Tonantins está incomunicável. Um defeito na linha de transmissão do único posto telefônico deixou o munícipio isolado. A meteorologista Flavia Lacerda, do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET-Manaus), afirmou que as chuvas na região do alto Solimões vão prosseguir até meados de junho.
No município de Tabatinga, distante da capital 1.100 quilômetros, o rio Solimões transbordou alagando em dois metros as ruas da parte baixa da cidade. A situação mais grave é na zona rural onde se localizam as comunidades indígenas Ticunas e Kokamas. O prefeito Raimundo Nonato (PTB) lançou a campanha SOS Tabatinga para a doação de roupas, alimentos não perecíveis e medicamentos. Ele decretou estado de calamidade pública, mas até o momento não conseguiu recursos para ajudar as 7.980 pessoas afetadas. "É a pior enchente de nossas vidas" disse por telefone Nonato. A situação se agravará quando descerem as águas
pois aumentará os casos de malária e hepatite".
Os casos de malária aumentaram em 30%, entre os meses de abril e maio no município de Atalaia do Norte, também castigado pela enchente do Solimões desde o mês passado. O agente administrador da Fundação Nacional de Saúde Roosevelt dos Santos Ferreira disse que faltam recuros para ações preventivas, como a aplicação de inseticida nas regiões alagadas. "Sem a prevenção o quadro tende a se agravar e deveremos ter um grande pico de malária para os próximos dias" avaliou Ferreira.

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