Manaus, 31 (AE) - A enchente do Rio Negro - que margeia quatro municípios no Norte do Amazonas e parte da cidade de Manaus - já é a nona maior do século, segundo estatística do Serviço de Hidrologia da Portobrás. Nos últimos sete meses, o Negro subiu 13 metros e 98 centímetros. Hoje a cota máxima do rio ficou em 29,01 metros. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) classificou a enchente como extraordinária. Os dados confirmam os estudos da meteorologista Flávia Lacerda, que ainda não descarta a possibilidade de o Negro subir na mesma proporção do que a enchente de 1953, quando registrou cota máxima de 29,69 metros.
Segundo o encarregado do Serviço de Hidrologia da Portobrás, Valderino Pereira da Silva, o Rio Negro continua subindo dois centímetros por dia. No ano de 1953, afirma Silva, exatamente no dia 31 de maio o Negro estava com cota de 29 metros e 71 centímetros. "Nesse caso o rio precisa subir oito centímetros para ultrapassar a cota da maior cheia do século. Acho que não é muito provável ultrapassar essa cota máxima", disse o técnico.
Mas segundo as pesquisas do Inmet, a bacia Amazônica continua sofrendo os efeitos o fenômeno La Niña. "As chuvas devem se prolongar pelo mês de junho e certamente as chuvas vão aumentar, o que pode vir a provocar uma enchente maior do 1953"
disse Flávia Lacerda, com base em prognósticos do NOAA.
Os efeitos da enchente já estão sendo sentidos por cerca de 30 mil famílias que vivem na região ribeirinha de Manaus, nos bairros como Educandário, Glória, São Raimundo, São Jorge, Colômbia, Oliveira Machado, Morro da Liberdade, entre outros. A população está construindo rampas de madeira para poder trafegar na rua alagada. No interior a situação também é grave. Os municípios de Tabatinga e Parintins (região do Solimões) já estão sendo atendidos pela Secretaria Nacional de Defesa Civil.

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