Enchente deixa 1.500 desabrigados em Marabá
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Carlos Mendes, especial para a ae 
Belém, 23 (AE) - A prefeitura de Marabá, no sudeste do Pará, ampliou hoje o cadastramento das famílias desabrigadas pela enchente nos rios Tocantins e Itacaiúnas. O número de desabrigados passa de1.500. Cerca de 200 famílias, que perderam móveis e eletrodomésticos, foram cadastradas nos últimos cinco dias. Por causa do excesso de chuvas, há 14 mil pessoas em situação de risco no município.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil Municipal, Francisco Alves, cerca de 80 famílias estão sendo cadastradas diariamente para ocupar abrigos em prédios públicos e receber alimentos, roupas e medicamentos. "O nosso maior problema é a falta de abrigos", disse Alves. Até o mercado municipal e o parque de exposições da feira agropecuária da cidade estão sendo usados. Nesses locais homens do Exército e da Defesa Civil estão montando barracas de lona.
A falta de espaço para os que fogem das enchentes na Velha Marabá, um núcleo urbano onde vivem cerca de 15 mil famílias, tem levado algumas pessoas ao desespero. A doméstica Maria dos Remédios de Souza, com seis filhos e o marido doente, disse que foi expulsa pela Polícia Militar de um abrigo onde funcionava o antigo hospital da Fundação Sesp. "Disseram que já estava lotado e não deixaram a gente ficar nem no pátio."
As águas do Tocantins, que banha Marabá, estão subindo em média cerca de nove centímetros. Hoje, segundo medição feita por técnicos da Eletronorte, o nível do rio havia alcançado 11 50 metros, um aumento de 16 centímetros em relação à medição de ontem (22).
O prefeito de Marabá, Geraldo Veloso (PSDB), disse que a situação em Marabá "piora a cada dia". O aumento constante do rio e do número de desabrigados amplia os riscos de surto de febre amarela, dengue e leptospirose. "Se continuar assim vou decretar estado de calamidade pública", disse.


