Manaus, 20 (AE) - A enchente nos rios da Amazônia castiga agora a população do Leste do Estado. No município de Parintins, a 325 quilômetros da capital, o médio Amazonas já subiu desde abril 8,58 metros. A maior enchente foi registrada em 1986, quando o rio ultrapassou nove metros. Na cidade que é conhecida internacionalmente pelo Festival do Boi-Bumbá, a cheia desabrigou 25 famílias e inundou 250 casas da zona urbana.
A cheia no triângulo dos rios Jutai, Solimões e Juruá também causa alagações na cidade de Tefé, a 510 quilômetros oeste de Manaus. Lá não há registro de desabrigados. A situação continua crítica nos municípios de Benjamin Constant, Tabatinga, Ataláia do Norte e Tonantins.
Apesar dos estragos provocados pela enchente na cidade de Parintins, a prefeitura municipal ainda estuda a decretação do estado de calamidade pública. Na zona rural, a situação é também grave, mas os ribeirinhos, já acostumados a esse problema, têm abrigo em épocas de cheia. "Na seca eles vivem nas casas construídas nas várzeas; nas cheias se mudam para as moradias d terra firme", explicou o coordenador da Defesa Civil de Parintins, capitão da Polícia Militar Roodney Caldas. "O maior problema está na zona urbana, onde a população foi supreendia pela enchente."
O excesso de chuvas na Amazônia foi previsto no início do ano pelo Instituto Nacional e Meteorologia (IMET). O fenômeno La Niña é o causador das chuvas na maioria dos Estados da região norte. O pico das cheias deve ocorrer em julho. Em rios como o Negro poderá ocorrer a maior enchente dos últimos 46 anos. O rio Negro, que cerca a cidade de Manaus, está 73 centímetros abaixo do limite máximo de 1953, que atingiu 29,79 metros acima do nível. Quem vive às margens do rios nas palafitas já está aumentando as estacas para fugir da inundação.

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