Encerrado depoimento de Geoghegan a CPI
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por José Ramos 
Brasília, 16 (AE) - Acabou há pouco, após cerca de três horas e meia de sessão, o depoimento do presidente do HSBC no Brasil, Michael Geoghegan, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado. A discussão, que contou em seu início com a presença de apenas 12 dos 27 senadores que a compõem e acabou com a participação de apenas cinco, foi marcada por desentendimentos entre o expoente e os senadores.
O executivo não possui ainda desenvoltura na língua portuguesa
e os senadores pouco sabiam sobre a operação do Proer (programa de Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional). Os senadores perguntaram até se o depoente tinha cópia do decreto presidencial que autorizou o HSBC a se instalar no Brasil.
Geoghegan informou que o HSBC foi consultado pelo Banco Central no final de 1996 sobre o interesse em assumir o controle do Bamerindus. As negociações ocorreram em março de 1997. Até três dias da intervenção do Banco Central no Bamerindus, o HSBC não havia recebido nenhuma informação sobre o banco brasileiro, segundo o depoente.
Ele informou que não estava negociando a compra do banco diretamente com os controladores do Bamerindus, e disse que os contatos mantidos com os mesmos em dezembro de 1995 tinham por objetivo melhorar a gestão do banco para que o HSBC não perdesse os US$ 61 milhões que havia colocado no Bamerindus por meio de compra de ações. Segundo Geoghegan, o Bamerindus não valia nada na data da intervenção, pois não tinha patrimônio, mas o HSBC aceitou pagar o ágio de R$ 381 milhões exigidos pelo Banco Central pela marca do Banco.
O depoente confirmou que o HSBC recebeu R$ 376 milhões do Banco Central para a reestruturação da parte do Bamerindus que foi assumida pela instituição inglesa. Parte dos recursos foram destinados ao pagamento do passivo trabalhista dos funcionários do ex-Bamerindus.
Também houve investimentos de urgência, como a montagem de um back-up para o setor de informática. Nem isso o Bamerindus tinha
segundo Geoghegan. O depoente disse que o HSBC não havia recebido nenhuma ajuda do Proer para comprar a parte do Bamerindus. O senador Roberto Freire (PPS-PE), no entanto, tentou convencê-lo de que a ajuda havia ocorrido, pois o dinheiro da reestruturação repassado pelo Bamerindus em liquidação havia sido injetado pelo Proer, segundo Freire.
Geoghegan disse ainda desconhecer a denúncia do ex-presidente do Bamerindus, José Eduardo Andrade Vieira, segundo quem o Banco Central teria comprado quase R$ 1 bilhão em títulos da dívida externa brasileira com recursos do Bamerindus, dois dias após a intervenção, e teria repassado para o HSBC. O senador Jáder Barbalho (PMDB-PA) exigiu que o Banco Central informe sobre a operação em 48 horas.
Geoghegan explicou aos senadores que seu banco não tinha relação nenhuma com os acionistas minoritários do Banco Bamerindus, que era outra instituição, em liquidação, diferente da parte assumida pelo HSBC.
Mas cedeu ao pedido do senador Eduardo Suplicy , para que recebesse o representante dos minoritários, Euclides Nascimento, que estava presente ao depoimento. Constrangido, Geoghegan disse que ajudaria no que fosse possível, mas alertou que a situação dos minoritários era muito difícil, que não podia assumir nenhum compromisso, e que não tinha autorização legal para fazer nada. A CPI volta a reunir-se somente na próxima semana.


