São Paulo, 13 (AE) - Apesar de ter sido beneficiada pelo aumento do dólar e consequente queda na venda de artigos importados, a produção nacional de software continua retraída por causa dos altos encargos pagos pelos empresários brasileiros. De acordo com dados da Associação das Empresas Brasileiras de Software e Serviços de Informática (Assespro), no Brasil gasta-se cerca de 30% do faturamento com essas despesas, enquanto nos Estados Unidos os custos significam 16%.
Do total de R$ 1,5 bilhão em vendas de software registradas em 1998 no País, apenas R$ 250 milhões referem-se ao movimento das cerca de 8 mil empresas nacionais. Ainda assim, o novo presidente da regional São Paulo da Assespro, Ernesto Haberkorn, prevê que este ano o setor mantenha o índice de crescimento de 15%, como ocorreu de 1997 para 1998.
De acordo com Haberkorn, uma maneira de incentivar a produção nacional seria, por exemplo, a inclusão das empresas que prestam serviços de consultoria em informática como optantes do Sistema Único de Pagamento de Impostos e Contribuições (Simples), para que ajam como prestadoras de serviço.
"Atualmente, ou o empresário tem de contratar esse profissional e pagar os altos encargos trabalhistas ou corre o risco de ser multado por terceirizar o serviço de maneira irregular", diz.
Outras sugestões da Assespro são de o Estado dar prioridade à produção nacional no momento de comprar artigos de informática e criar uma taxa para a entrada de produtos importados no País. "A verba poderia ser destinada a um fundo de investimentos que posteriormente fosse transformado em financiamentos facilitados para as empresas nacionais", observa Haberkorn.
A produção de software brasileira é a maior da América Latina e está voltada principalmente para as áreas educativa, de gestão e de automação. Apenas a venda de softwares de gestão teve um crescimento de 25% em 1998, em relação ao ano anterior.
O setor de informática no País - incluindo a prestação de serviços, a venda hardwares, softwares e produtos de rede - movimentou no ano passado R$ 13,8 bilhões e emprega atualmente em torno de 40 mil pessoas.
"A participação das empresas nacionais é maior na área de serviços, na qual detêm em torno de um terço do mercado", afirma. "Mas, como no Brasil o índice de automação ainda é pequeno, há muitas perspectivas de crescimento para o setor."

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