Curitiba - Douglas Alberto da Silva, de Curitiba, tinha cinco anos quando se descobriu soropositivo; Otávio Henrique Machado, de Cascavel, 12, e José Rayan Damião de Oliveira, de Manaus, dez. Além da convivência com o HIV desde cedo, os três jovens têm em comum o ativismo social, forma que encontraram de compartilhar informações sobre o vírus com outras pessoas e, consequentemente, de diminuir o preconceito.
De família pobre, Douglas viveu até o ano passado na Associação Paranaense Alegria de Viver (Apav). Ele e o irmão foram infectados por transmissão vertical, durante a gestação da mãe. Apesar das dificuldades iniciais, o hoje estudante de Comunicação Social, de 21 anos, conta que consegue ter uma vida absolutamente normal. ''No começo não aceitei tão bem. Cheguei a parar de tomar um pouco os coquetéis e isso criou resistência no meu organismo. Mas agora estou ótimo, porque sei que tenho que tomar. Cuido da alimentação, faço exercícios e procuro me manter saudável'', diz.
O curitibano representa, com o apoio da Fênix e da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids (RNAJVHA), um grupo de 20 meninos e meninas soropositivos. ''O grupo é bem recente. A gente começou em agosto, mas já tem uma base de 20 jovens, entre 14 e 29 anos, que se encontram de quinze em quinze dias. O objetivo é incentivar o protagonismo para a construção de políticas públicas'', explica.
Assim como Douglas, o estudante de Direito Otávio Henrique Machado, de 20 anos, tem se dedicado a levar informações sobre o HIV a outros jovens. Em Cascavel, no Oeste do Estado, onde mora, ele atua como representante do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) e está à frente do grupo ''Vida e Atitude'', ligado ao Centro Especializado de Doenças Infecto-Parasitárias (Cedip). ''A gente se reúne toda segunda-feira para conversar e ver como cada um está. É mais um bate-papo, para interação. Não tem uma quantidade específica. Participam de 10 a 25 pessoas'', conta.
Otávio também nasceu com o HIV e diz que nunca escondeu sua condição de ninguém. ''Minha rotina é tranquila: trabalho de manhã e à tarde como assistente jurídico num escritório e à noite vou para a faculdade. Também sou fotógrafo e dono de um site. Como tiro fotos em festas, sou relativamente popular. Todo mundo sabe e lida numa boa''.
Segundo ele, que namora uma menina sorodiscordante, ou seja, que não possui o vírus, o preconceito ainda existe, no entanto, a situação das pessoas vivendo com HIV já mudou bastante. ''Quando surgiram os primeiros casos [no início da década de 80], não havia medicamentos adequados e as pessoas morriam. Hoje tomamos os antirretrovirais, feitos especificamente para o HIV. Acho que é como se fosse uma gripe: você não vai se curar; o vírus vai ficar lá e você vai fazer o tratamento. Na verdade, tem até que cuidar mais do seu parceiro do que de si mesmo'', afirma.
Desde o início da epidemia, em 1980, até junho de 2011, o Brasil registrou 608.230 casos de infecção pelo HIV, de acordo com o Boletim Epidemiológico de 2011, lançado pelo Ministério da Saúde. Do total, 105.503 estavam localizados na região Sul do País e, destes, 16,21% tinham entre zero e 24 anos.

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